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<span style="color:red">Jesus e as tradições farisaicas (Mt 15,1-9) – </span><span style="color:red"><sup>1</sup></span>Reuniram-se junto dele os fariseus e alguns dos doutores da lei vindos de Jerusalém. <span style="color:red"><sup>2</sup></span>Ao verem que alguns dos seus discípulos comiam os pães com mãos impuras, isto é, sem as lavar, <span style="color:red"><sup>3</sup></span>– de facto, os fariseus e todos os judeus não comem sem terem lavado as mãos até ao punho<ref name="ftn91">O termo grego ''pygmḗ'', que traduzimos por ''punho'', é de difícil interpretação. Alguns mss. omitem-no e outros substituem-no por ''pykná'' (''muitas vezes''). Mantemos a ''lectio difficilior'' que concorda com a Michná: ''<nowiki>limpam-se as mãos [derramando água sobre elas] até ao punho</nowiki>'' (''mYad''. 2,3).</ref>, agarrados à tradição dos antigos<ref name="ftn92">A ''tradição dos antigos'' é uma referência às leis transmitidas oralmente, paralelamente à Escritura, que os fariseus atribuíam a Moisés (e que os saduceus não aceitavam).</ref>, <span style="color:red"><sup>4</sup></span>e, ao voltar da praça pública, não comem sem se terem lavado; e agarram-se por tradição a muitas outras coisas, como a lavagem de copos, vasos, utensílios de cobre e camas<ref name="ftn93">Alguns mss. não apresentam ''e camas''. O verbo grego traduzido por ''lavar'' é ''baptízō'' e o substantivo ''lavagem'' é ''baptismós''<nowiki>; trata-se de uma ironia: os fariseus não recebem o batismo de conversão e o do Espírito, mas </nowiki>''batizam-se'' para comer, ''batizam'' os utensílios e até o próprio leito.</ref> – <span style="color:red"><sup>5</sup></span>os fariseus e doutores da lei interrogaram-no: «Por que razão não procedem<ref name="ftn94">Lit.: ''Por que razão não andam''.</ref> os teus discípulos de acordo com a tradição dos antigos, mas comem o pão com mãos impuras?». <span style="color:red"><sup>6</sup></span>Ele, porém, disse-lhes: «Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: | |||
''Este povo honra-me com os lábios, '' | ''Este povo honra-me com os lábios, '' | ||
''mas o coração deles está longe '' | ''mas o coração deles está longe de mim;'' | ||
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''mandamentos de homens''<ref name="ftn95">Is 29,13 (LXX).</ref>''.'' | ''mandamentos de homens''<ref name="ftn95">Is 29,13 (LXX).</ref>''.'' | ||
<span style="color:red"><sup>8</sup></span>Tendo abandonado o mandamento de Deus, estais agarrados à tradição dos homens». | |||
<span style="color:red"><sup>9</sup></span>E dizia-lhes: «Que bem sabeis rejeitar o mandamento de Deus, para manterdes a vossa tradição! <span style="color:red"><sup>10</sup></span>Pois Moisés disse: ''Honra o teu pai e a tua mãe''<ref name="ftn96">Ex 20,12; Dt 5,16.</ref> e ''Quem maldisser o pai ou a mãe seja punido com a morte''<ref name="ftn97">Ex 21,17; Lv 20,9. Lit.: ''que com morte pereça''. </ref><nowiki>; </nowiki><span style="color:red"><sup>11</sup></span>mas vós dizeis: "Se alguém disser ao pai ou à mãe: 'aquilo com que poderias ser ajudado por mim é ''korbán''' – isto é, oferta a Deus –"<ref name="ftn98">Lit.: ''Korbán – que é oferta – o que de mim te aproveitaria''. Etimologicamente o hebraico ''korbán'' significa aquilo que é'' aproximado ''de Deus ou do altar, e é usado para falar das ofertas ao templo. Ao ser declarada ''korbán'', a oferta já não pode ter outro destino, de acordo com a interpretação farisaica de Nm 30,2-4. Cf. Mt 23,18-22.</ref>, <span style="color:red"><sup>12</sup></span>já não lhe permitis fazer nada pelo pai ou pela mãe. <span style="color:red"><sup>13</sup></span>Tornais inválida a palavra de Deus com a vossa tradição, que transmitis, e fazeis muitas outras coisas semelhantes». | |||
<span style="color:red">Ensinamento sobre o puro e o impuro (Mt 15,10-20) – </span><span style="color:red"><sup>14</sup></span>E, chamando de novo a si a multidão, dizia-lhes: «Ouvi-me todos e entendei: <span style="color:red"><sup>15</sup></span><nowiki>nada há fora do homem que, entrando nele, o possa tornar impuro. Pelo contrário, as coisas que saem do homem é que tornam o homem impuro». [</nowiki><span style="color:red"><sup>16</sup></span>]<ref name="ftn99">''Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça'': este v. 16 falta nos mss. mais importantes e deve ser uma glossa secundária inspirada em 4,9 ou 4,23.</ref> | |||
<span style="color:red"><sup>17</sup></span>Quando entrou em casa, deixando a multidão, os seus discípulos interrogaram-no sobre a parábola. <span style="color:red"><sup>18</sup></span>Ele disse-lhes: «Será que também vós estais privados de inteligência? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não pode torná-lo impuro, <span style="color:red"><sup>19</sup></span>pois não entra no seu coração, mas no ventre, e depois sai para a fossa?». Assim, Ele tornou puros todos os alimentos. <span style="color:red"><sup>20</sup></span>E dizia: «O que sai do homem é que torna o homem impuro, <span style="color:red"><sup>21</sup></span>pois é de dentro, do coração dos homens, que saem os maus pensamentos, promiscuidades, roubos, homicídios, <span style="color:red"><sup>22</sup></span>adultérios, ganâncias, maldades, mentira, devassidão, inveja<ref name="ftn100">Lit.: ''olho mau''. Todos os vícios apresentados por Mc aparecem noutras listas do NT, exceto ''más intenções'' e ''olho mau''.</ref>, blasfémia<ref name="ftn101">O termo ''blasfémia'' também pode significar ''calúnia, boato''. </ref>, soberba, insensatez. <span style="color:red"><sup>23</sup></span>Todas estas coisas más saem de dentro e tornam o homem impuro». | |||
<span style="color:red">A fé da mulher sirofenícia e cura da sua filha (Mt 15,21-28) – </span><span style="color:red"><sup>24</sup></span>Retirando-se dali, partiu para as regiões de Tiro<ref name="ftn102">Alguns mss. acrescentam ''e Sídon'', o que parece uma harmonização com 7,31 (cf. 3,8) e Mt 15,21. Trata-se de uma cidade sirofenícia, a norte da Galileia, importante entreposto comercial.</ref>. Tendo entrado numa casa, não queria que ninguém o soubesse, mas não foi possível passar despercebido. <span style="color:red"><sup>25</sup></span>Imediatamente uma mulher cuja pequena filha tinha um espírito impuro, tendo ouvido falar dele, veio cair a seus pés. <span style="color:red"><sup>26</sup></span>A mulher era grega<ref name="ftn103">''Grega'' significa pagã (refere-se à cultura e não à naturalidade, pois diz-se que era sirofenícia).</ref>, sirofenícia de nascimento, e pedia-lhe que expulsasse o demónio de sua filha. <span style="color:red"><sup>27</sup></span>Ele dizia-lhe: «Deixa que primeiro sejam saciados os filhos, pois não está bem tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos»<ref name="ftn104">Para os israelitas, apenas os judeus eram destinatários da salvação, porque ''filhos'' da promessa feita a Abraão; todos os outros eram considerados infiéis e tratados com dureza (''cães''). Ao usar esta linguagem comum, Jesus, com ironia, sublinha que há mais fé naqueles que são considerados ''cães'' do que entre os que se consideram ''filhos''.</ref>. <span style="color:red"><sup>28</sup></span>Mas ela, em resposta, disse-lhe: «Senhor, também os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem das migalhas das crianças». <span style="color:red"><sup>29</sup></span>Ele disse-lhe: «Por causa dessas palavras, vai; o demónio saiu da tua filha». <span style="color:red"><sup>30</sup></span>E, tendo ela partido para a sua casa, encontrou a menina recostada na cama; o demónio tinha saído. | |||
<span style="color:red">Cura de um surdo-gago na Decápole – </span><span style="color:red"><sup>31</sup></span>Saindo de novo da região de Tiro e passando por Sídon, foi na direção do mar da Galileia, atravessando os territórios da Decápole. <span style="color:red"><sup>32</sup></span>Trouxeram-lhe, então, um surdo que mal conseguia falar, e suplicaram-lhe que lhe impusesse a mão. <span style="color:red"><sup>33</sup></span>Afastando-o da multidão, a sós, pôs-lhe os dedos nas orelhas e com saliva tocou-lhe na língua<ref name="ftn105">Lit.: ''E cuspindo tocou-lhe a língua''.</ref><nowiki>; </nowiki><span style="color:red"><sup>34</sup></span>e, levantando os olhos ao céu, suspirou e disse-lhe: «Effathá», que significa «Abre-te». <span style="color:red"><sup>35</sup></span>De imediato se lhe abriram os ouvidos, soltou-se-lhe a corrente que lhe prendia a língua e começou a falar corretamente. <span style="color:red"><sup>36</sup></span>Jesus admoestou-os para que não dissessem nada a ninguém; mas, quanto mais os admoestava, mais intensamente eles o proclamavam. <span style="color:red"><sup>37</sup></span>Profundamente perplexos, diziam: «Tudo o que faz é bem feito: faz os surdos ouvir e os mudos falar». | |||
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Jesus e as tradições farisaicas (Mt 15,1-9) – 1Reuniram-se junto dele os fariseus e alguns dos doutores da lei vindos de Jerusalém. 2Ao verem que alguns dos seus discípulos comiam os pães com mãos impuras, isto é, sem as lavar, 3– de facto, os fariseus e todos os judeus não comem sem terem lavado as mãos até ao punho[1], agarrados à tradição dos antigos[2], 4e, ao voltar da praça pública, não comem sem se terem lavado; e agarram-se por tradição a muitas outras coisas, como a lavagem de copos, vasos, utensílios de cobre e camas[3] – 5os fariseus e doutores da lei interrogaram-no: «Por que razão não procedem[4] os teus discípulos de acordo com a tradição dos antigos, mas comem o pão com mãos impuras?». 6Ele, porém, disse-lhes: «Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito:
Este povo honra-me com os lábios,
mas o coração deles está longe de mim;
7em vão me prestam culto,
ensinando doutrinas que são
mandamentos de homens[5].
8Tendo abandonado o mandamento de Deus, estais agarrados à tradição dos homens».
9E dizia-lhes: «Que bem sabeis rejeitar o mandamento de Deus, para manterdes a vossa tradição! 10Pois Moisés disse: Honra o teu pai e a tua mãe[6] e Quem maldisser o pai ou a mãe seja punido com a morte[7]; 11mas vós dizeis: "Se alguém disser ao pai ou à mãe: 'aquilo com que poderias ser ajudado por mim é korbán' – isto é, oferta a Deus –"[8], 12já não lhe permitis fazer nada pelo pai ou pela mãe. 13Tornais inválida a palavra de Deus com a vossa tradição, que transmitis, e fazeis muitas outras coisas semelhantes».
Ensinamento sobre o puro e o impuro (Mt 15,10-20) – 14E, chamando de novo a si a multidão, dizia-lhes: «Ouvi-me todos e entendei: 15nada há fora do homem que, entrando nele, o possa tornar impuro. Pelo contrário, as coisas que saem do homem é que tornam o homem impuro». [16][9]
17Quando entrou em casa, deixando a multidão, os seus discípulos interrogaram-no sobre a parábola. 18Ele disse-lhes: «Será que também vós estais privados de inteligência? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não pode torná-lo impuro, 19pois não entra no seu coração, mas no ventre, e depois sai para a fossa?». Assim, Ele tornou puros todos os alimentos. 20E dizia: «O que sai do homem é que torna o homem impuro, 21pois é de dentro, do coração dos homens, que saem os maus pensamentos, promiscuidades, roubos, homicídios, 22adultérios, ganâncias, maldades, mentira, devassidão, inveja[10], blasfémia[11], soberba, insensatez. 23Todas estas coisas más saem de dentro e tornam o homem impuro».
A fé da mulher sirofenícia e cura da sua filha (Mt 15,21-28) – 24Retirando-se dali, partiu para as regiões de Tiro[12]. Tendo entrado numa casa, não queria que ninguém o soubesse, mas não foi possível passar despercebido. 25Imediatamente uma mulher cuja pequena filha tinha um espírito impuro, tendo ouvido falar dele, veio cair a seus pés. 26A mulher era grega[13], sirofenícia de nascimento, e pedia-lhe que expulsasse o demónio de sua filha. 27Ele dizia-lhe: «Deixa que primeiro sejam saciados os filhos, pois não está bem tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos»[14]. 28Mas ela, em resposta, disse-lhe: «Senhor, também os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem das migalhas das crianças». 29Ele disse-lhe: «Por causa dessas palavras, vai; o demónio saiu da tua filha». 30E, tendo ela partido para a sua casa, encontrou a menina recostada na cama; o demónio tinha saído.
Cura de um surdo-gago na Decápole – 31Saindo de novo da região de Tiro e passando por Sídon, foi na direção do mar da Galileia, atravessando os territórios da Decápole. 32Trouxeram-lhe, então, um surdo que mal conseguia falar, e suplicaram-lhe que lhe impusesse a mão. 33Afastando-o da multidão, a sós, pôs-lhe os dedos nas orelhas e com saliva tocou-lhe na língua[15]; 34e, levantando os olhos ao céu, suspirou e disse-lhe: «Effathá», que significa «Abre-te». 35De imediato se lhe abriram os ouvidos, soltou-se-lhe a corrente que lhe prendia a língua e começou a falar corretamente. 36Jesus admoestou-os para que não dissessem nada a ninguém; mas, quanto mais os admoestava, mais intensamente eles o proclamavam. 37Profundamente perplexos, diziam: «Tudo o que faz é bem feito: faz os surdos ouvir e os mudos falar».
- ↑ O termo grego pygmḗ, que traduzimos por punho, é de difícil interpretação. Alguns mss. omitem-no e outros substituem-no por pykná (muitas vezes). Mantemos a lectio difficilior que concorda com a Michná: limpam-se as mãos [derramando água sobre elas] até ao punho (mYad. 2,3).
- ↑ A tradição dos antigos é uma referência às leis transmitidas oralmente, paralelamente à Escritura, que os fariseus atribuíam a Moisés (e que os saduceus não aceitavam).
- ↑ Alguns mss. não apresentam e camas. O verbo grego traduzido por lavar é baptízō e o substantivo lavagem é baptismós; trata-se de uma ironia: os fariseus não recebem o batismo de conversão e o do Espírito, mas batizam-se para comer, batizam os utensílios e até o próprio leito.
- ↑ Lit.: Por que razão não andam.
- ↑ Is 29,13 (LXX).
- ↑ Ex 20,12; Dt 5,16.
- ↑ Ex 21,17; Lv 20,9. Lit.: que com morte pereça.
- ↑ Lit.: Korbán – que é oferta – o que de mim te aproveitaria. Etimologicamente o hebraico korbán significa aquilo que é aproximado de Deus ou do altar, e é usado para falar das ofertas ao templo. Ao ser declarada korbán, a oferta já não pode ter outro destino, de acordo com a interpretação farisaica de Nm 30,2-4. Cf. Mt 23,18-22.
- ↑ Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça: este v. 16 falta nos mss. mais importantes e deve ser uma glossa secundária inspirada em 4,9 ou 4,23.
- ↑ Lit.: olho mau. Todos os vícios apresentados por Mc aparecem noutras listas do NT, exceto más intenções e olho mau.
- ↑ O termo blasfémia também pode significar calúnia, boato.
- ↑ Alguns mss. acrescentam e Sídon, o que parece uma harmonização com 7,31 (cf. 3,8) e Mt 15,21. Trata-se de uma cidade sirofenícia, a norte da Galileia, importante entreposto comercial.
- ↑ Grega significa pagã (refere-se à cultura e não à naturalidade, pois diz-se que era sirofenícia).
- ↑ Para os israelitas, apenas os judeus eram destinatários da salvação, porque filhos da promessa feita a Abraão; todos os outros eram considerados infiéis e tratados com dureza (cães). Ao usar esta linguagem comum, Jesus, com ironia, sublinha que há mais fé naqueles que são considerados cães do que entre os que se consideram filhos.
- ↑ Lit.: E cuspindo tocou-lhe a língua.
Capítulos
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