Mc 11

From Biblia: Os Quatro Evangelhos e os Salmos
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B. JESUS EM JERUSALÉM
(11,1-13,37)


Entrada messiânica em Jerusalém (Mt 21,1-10; Lc 19,28-38; Jo 12,12-19) – 1Quando se aproximaram de Jerusalém, Betfagé[1] e Betânia, junto ao Monte das Oliveiras, enviou dois dos seus discípulos 2e disse-lhes: «Ide à povoação que está na vossa frente e imediatamente, ao entrardes nela, encontrareis um jumentinho preso, no qual ainda ninguém se sentou. Soltai-o e trazei-o. 3E, se alguém vos disser: "Porque fazeis isso?", dizei: "O Senhor tem necessidade dele e imediatamente o enviará de volta para aqui"».

4Eles partiram e encontraram o jumentinho preso junto a uma porta, do lado de fora, na rua, e soltaram-no. 5Alguns dos que ali estavam diziam-lhes: «Que estais a fazer, soltando o jumentinho?». 6Eles disseram-lhes como Jesus tinha dito, e deixaram-nos ir.

7Levaram, então, o jumentinho a Jesus, lançaram-lhe por cima as suas capas, e sentou-se nele. 8Muitos estenderam as suas capas pelo caminho, e outros, ramos que tinham cortado nos campos. 9E tanto os que iam à frente como os que o seguiam gritavam:

«Hossana!

Bendito o que vem em nome do Senhor[2]!

10Bendito o reino que chega, do nosso pai David!

Hossana nas alturas!».

11E entrou em Jerusalém, no templo. Tendo observado tudo à sua volta, e sendo já tardia a hora, saiu para Betânia com os Doze.


A maldição da figueira (Mt 21,18s) – 12No dia seguinte, ao saírem de Betânia, sentiu fome. 13Ao ver de longe uma figueira com folhas, foi ver se por acaso encontraria nela alguma coisa, mas, quando chegou junto dela, nada encontrou senão folhas. De facto, não era tempo de figos. 14Então, em resposta, disse-lhe: «Que nunca mais e para sempre alguém de ti possa comer fruto!». E os seus discípulos ouviam[3].


Expulsão dos vendedores do templo (Mt 21,12s; Lc 19,45-48; Jo 2,13-16) – 15Chegaram, então, a Jerusalém. Entrando no templo, começou a expulsar os que vendiam e os que compravam no templo; derrubou as mesas dos cambistas e os assentos dos que vendiam as pombas, 16e não permitia que ninguém transportasse vasos pelo templo[4]. 17Ensinava, então, e dizia-lhes: «Não está escrito: A minha casa será chamada casa de oração para todos os povos[5]? Mas vós tendes feito dela um antro de salteadores[6]».

18Os chefes dos sacerdotes e os doutores da lei ouviram isto[7] e procuravam modo de o matar, pois tinham medo dele, porque toda a multidão estava perplexa com o seu ensinamento.

19E, quando a noite caiu, saíram da cidade.


A figueira seca e o poder da oração (Mt 21,20-22) – 20De manhã cedo, ao passarem perto, viram a figueira seca desde as raízes. 21Ao lembrar-se, Pedro disse-lhe: «Rabi, olha: a figueira que amaldiçoaste secou». 22Em resposta, Jesus disse-lhes: «Tende fé em Deus! 23Amen vos digo: aquele que disser a este monte: "Levanta-te e lança-te ao mar", e não hesitar no seu coração, mas acreditar que acontecerá o que diz, assim lhe há de suceder. 24Por isso vos digo: tudo quanto rezais e pedis, acreditai que já o recebestes, e assim vos acontecerá. 25E, quando estiverdes a rezar, se tiverdes alguma coisa contra alguém, perdoai, para que também o vosso Pai que está nos céus vos perdoe as vossas transgressões». [26][8].

Controvérsia sobre a autoridade de Jesus (Mt 21,23-27; Lc 20,1-8) – 27Foram de novo para Jerusalém. E, enquanto Ele caminhava no templo, foram ter com Ele os chefes dos sacerdotes, os doutores da lei e os anciãos 28e diziam-lhe: «Com que autoridade fazes estas coisas? Ou quem te deu tal autoridade para as fazeres?».

29Mas Jesus disse-lhes: «Vou perguntar-vos uma coisa; respondei-me e dir-vos-ei com que autoridade faço estas coisas. 30O batismo de João era do céu ou dos homens? Respondei-me». 31Eles discutiam entre si, dizendo: «Se dissermos: "Do céu", dirá: "Então, por que razão não acreditastes nele?"; 32mas se dissermos: "Dos homens"?...» – tinham medo da multidão, pois todos consideravam que João era realmente um profeta. 33E, respondendo a Jesus, disseram: «Não sabemos». Então Jesus disse-lhes: «Nem Eu vos digo com que autoridade faço estas coisas».



  1. Betfagé significa Casa dos Figos. A referência enquadra a maldição da figueira nos vv. 12ss.
  2. Sl 118,25s. A expressão hossana poderá ser uma forma aramaica da invocação hebraica hōchī῾ā-nāh do Sl 118,25, que significa salva-nos, mas que no tempo do NT parece ter já perdido este sentido original para se tornar numa expressão aclamativa.
  3. Este episódio é enquadrado no início do capítulo pela referência a Betfagé (Casa dos Figos) e tem um claro sabor profético: na tradição bíblica, a figueira é símbolo de Israel (Jr 8,13; Is 28,3s; Os 9,10.16), e a falta de figos (ou de uvas, quando a imagem é a videira) da sua esterilidade (Mq 7,1s; cf. Is 5,1s). Visto que Mc apresenta a ação simbólica de Jesus como moldura para a expulsão dos vendedores do templo, aquela parece significar a declaração da esterilidade das instituições e, de modo particular, do culto de Israel.
  4. Refere-se provavelmente aos recipientes usados para ritos religiosos.
  5. Is 56,7.
  6. Jr 7,11.
  7. Isto é acrescento da tradução.
  8. O v. 26 – Mas se vós não perdoardes, também o vosso Pai celeste não perdoará as vossas transgressões – não aparece nos códices mais importantes e parece ser uma harmonização com Mt 6,15.



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