Lc 10: Difference between revisions

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<span style="color:red">A missão dos setenta e dois (Mt 9,37s) – </span><span style="color:red"><sup>1</sup></span>Depois disto, o Senhor designou outros setenta e dois<ref name="ftn182">Em alguns mss. lê-se ''setenta'' (o mesmo acontece no v. 17). Em ambos os casos, Lc pretende indicar o número das nações pagãs, segundo Gn 10 (70, na versão hebraica; 72, na versão grega). Lc segue a versão grega e encontra neste envio uma antecipação da missão aos pagãos, que só começou depois da Páscoa e do Pentecostes (Lc 24,47; At 1,8). O episódio é exclusivo de Lc.</ref> e enviou-os à sua frente, dois a dois, a toda a cidade e lugar onde Ele estava prestes a ir. <span style="color:red"><sup>2</sup></span>Dizia-lhes: «A seara<ref name="ftn183">O grego ''therism''ó''s'' diz respeito ao ato de colher no tempo próprio e, por extensão de sentido, à própria seara. A imagem da ceifa/colheita é usada pelos Profetas para designar o julgamento de Deus (Is 41,15.16; Jl 4,13). Também para João Batista é obra de Deus (3,17).</ref> é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara. <span style="color:red"><sup>3</sup></span>Ide. Eis que vos envio como cordeiros no meio de lobos. <span style="color:red"><sup>4</sup></span>Não leveis saca, nem bolsa, nem sandálias, nem saudeis ninguém pelo caminho. <span style="color:red"><sup>5</sup></span>Se entrardes numa casa, dizei primeiro: "Paz a esta casa!" <span style="color:red"><sup>6</sup></span>E se lá houver alguém de paz<ref name="ftn184">Lit.: ''filho da paz'', um semitismo para designar aquele que acolhe de Deus o dom da paz.</ref>, repousará sobre ele a vossa paz; se não, regressará a vós. <span style="color:red"><sup>7</sup></span>Permanecei nessa casa comendo e bebendo do que tiverem, pois o trabalhador é digno do seu salário.


Não andeis de casa em casa. <span style="color:red"><sup>8</sup></span>E, se entrardes numa cidade e vos acolherem, comei o que vos apresentarem, <span style="color:red"><sup>9</sup></span>curai os doentes que nela houver e dizei-lhes: "Está próximo de vós o reino de Deus". <span style="color:red"><sup>10</sup></span>Mas, se entrardes numa cidade e não vos acolherem, saí para as suas praças e dizei: <span style="color:red"><sup>11</sup></span>"Até o pó da vossa cidade, que se apegou aos nossos pés, sacudimos para vós. Sabei, no entanto: o reino de Deus está próximo"'''. '''<span style="color:red"><sup>12</sup></span>Digo-vos que, naquele dia, haverá mais tolerância para Sodoma do que para essa cidade».




<span style="color:red">Imprecações contra as cidades incrédulas (Mt 11,20-24) – </span><span style="color:red"><sup>13</sup></span>«Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e Sídon se tivessem realizado as ações poderosas<ref name="ftn185">Lit.: ''poderes'' (''dynámeis''); habitualmente este termo é traduzido por ''milagre'', mas a etimologia remete para aquele que realiza tais ações e não tanto para quem as vê.</ref> que entre vós se realizaram, há muito se teriam convertido, cobrindo-se de pano rude<ref name="ftn186">Revestir-se de saco (veste grosseira e, por isso, incómoda e nada confortável) e cobrir-se de cinza eram sinais exteriores do arrependimento e da conversão (Jn 3,7-10).</ref> e sentando-se na cinza. <span style="color:red"><sup>14</sup></span>Aliás, haverá mais tolerância para Tiro e Sídon no juízo do que para vós. <span style="color:red"><sup>15</sup></span>E tu, Cafarnaum,'' serás elevada até ao céu? Até ao inferno''<ref name="ftn187">Lit.: ''Hades'', o inferno na mitologia grega.</ref> ''descer''ás''.'' <span style="color:red"><sup>16</sup></span>Quem vos ouve a mim ouve, e quem vos rejeita a mim rejeita; mas quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou».


<span style="color:red">Regresso dos discípulos – </span><span style="color:red"><sup>17</sup></span>Os setenta e dois voltaram com alegria, dizendo: «Senhor, até os demónios se submetem a nós em teu nome». <span style="color:red"><sup>18</sup></span>Mas Ele disse-lhes: «Via Satanás como um relâmpago a cair do céu. <span style="color:red"><sup>19</sup></span>Eis que vos dei a autoridade para pisar serpentes e escorpiões, e sobre todo o poder do inimigo; e ninguém jamais vos causará dano. <span style="color:red"><sup>20</sup></span>Contudo, não vos alegreis porque os espíritos se submetem a vós; alegrai-vos antes porque os vossos nomes estão inscritos nos céus».
<span style="color:red">Revelação aos humildes (Mt 11,25-27) – </span><span style="color:red"><sup>21</sup></span>Naquela mesma hora exultou de alegria no Espírito Santo e disse: «Louvo-te, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. <span style="color:red"><sup>22</sup></span>Tudo me foi entregue por meu Pai; ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, e quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho quiser revelar».
<span style="color:red"><sup>23</sup></span>E, voltando-se para os discípulos, disse-lhes a sós: «Felizes os olhos que veem o que vós vedes. <span style="color:red"><sup>24</sup></span>Pois digo-vos que muitos profetas e reis quiseram ver o que vós vedes e não viram, e ouvir o que ouvis e não ouviram».
<span style="color:red">Parábola do bom samaritano (Mt 22,35-40; Mc 12,28-31) – </span><span style="color:red"><sup>25</sup></span>Eis então que um entendido na Lei se levantou para o pôr à prova, dizendo: «Mestre, que hei de fazer para herdar a vida eterna?». <span style="color:red"><sup>26</sup></span>Ele disse-lhe: «Na Lei, que está escrito? Como lês?». <span style="color:red"><sup>27</sup></span>Ele, respondendo, disse: «''Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua força, ''e com todo o teu entendimento, ''e o'' ''teu próximo como a ti mesmo''». <span style="color:red"><sup>28</sup></span>Disse-lhe Ele: «Respondeste bem. Faz isso e viverás»<ref name="ftn188">A questão do doutor da lei é respondida por ele próprio, com recurso ao AT (Dt 6,4-9; Lv 19,18).</ref>.
<span style="color:red"><sup>29</sup></span>Mas ele, querendo justificar-se, disse a Jesus: «E quem é o meu próximo?». <span style="color:red"><sup>30</sup></span>Retorquindo, Jesus disse: «Um homem descia de Jerusalém para Jericó<ref name="ftn189">C. 25 quilómetros separam Jerusalém de Jericó. A estrada que liga as duas cidades atravessa o deserto da Judeia. Os assaltos eram frequentes.</ref> e caiu nas mãos de salteadores que, depois de o despirem e lhe baterem, se foram embora, deixando-o meio morto. <span style="color:red"><sup>31</sup></span>Por acaso, um sacerdote descia por aquele caminho; ao vê-lo, passou ao largo. <span style="color:red"><sup>32</sup></span>De igual modo, também um levita que passava por aquele lugar, ao vê-lo, passou ao largo. <span style="color:red"><sup>33</sup></span>Mas um samaritano<ref name="ftn190">As parábolas de Lc obedecem ao esquema de três personagens (cf. 14,18-20; 19,6-24; 20,10-12). Sobre os samaritanos, cf. 9,52-53 nota.</ref>, que seguia no caminho, passou junto dele e, ao vê-lo, ficou profundamente compadecido. <span style="color:red"><sup>34</sup></span>E, indo ter com ele, ligou-lhe as feridas, derramando azeite e vinho; depois de o colocar sobre a sua montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. <span style="color:red"><sup>35</sup></span>No dia seguinte, ao sair, deu dois denários ao estalajadeiro e disse: "Cuida dele e o que gastares a mais eu to restituirei quando voltar".
<span style="color:red"><sup>36</sup></span>Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?». <span style="color:red"><sup>37</sup></span>Ele disse: «O que usou de misericórdia para com ele». <span style="color:red"><sup>37</sup></span>Disse-lhe Jesus: «Vai e faz tu o mesmo»<ref name="ftn191">A parábola aparece encaixada entre duas ordens em que impera o verbo ''fazer'' (vv. 25.28). A tónica não é colocada no saber e no dizer, mas no fazer.</ref>.
<span style="color:red">Marta e Maria – </span><span style="color:red"><sup>38</sup></span>Enquanto eles prosseguiam, Ele entrou numa certa povoação. Recebeu-o uma mulher, de nome Marta. <span style="color:red"><sup>39</sup></span>Esta tinha uma irmã chamada Maria<ref name="ftn192">Marta e Maria são seguramente as duas irmãs de que fala também Jo 11,1-40; 12,1-3.</ref> que, sentada aos pés do Senhor, escutava a sua palavra. <span style="color:red"><sup>40</sup></span>Marta, porém, andava de um lado para o outro com muito serviço. Então, parando, disse: «Senhor, não te importa que a minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me». <span style="color:red"><sup>41</sup></span>Respondendo, disse-lhe o Senhor: «Marta, Marta, estás preocupada e alvoroçada com muitas coisas, <span style="color:red"><sup>42</sup></span>mas uma só é necessária. Maria escolheu a parte boa, que não lhe será tirada».





Latest revision as of 09:16, 24 December 2019

A missão dos setenta e dois (Mt 9,37s) – 1Depois disto, o Senhor designou outros setenta e dois[1] e enviou-os à sua frente, dois a dois, a toda a cidade e lugar onde Ele estava prestes a ir. 2Dizia-lhes: «A seara[2] é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara. 3Ide. Eis que vos envio como cordeiros no meio de lobos. 4Não leveis saca, nem bolsa, nem sandálias, nem saudeis ninguém pelo caminho. 5Se entrardes numa casa, dizei primeiro: "Paz a esta casa!" 6E se lá houver alguém de paz[3], repousará sobre ele a vossa paz; se não, regressará a vós. 7Permanecei nessa casa comendo e bebendo do que tiverem, pois o trabalhador é digno do seu salário.

Não andeis de casa em casa. 8E, se entrardes numa cidade e vos acolherem, comei o que vos apresentarem, 9curai os doentes que nela houver e dizei-lhes: "Está próximo de vós o reino de Deus". 10Mas, se entrardes numa cidade e não vos acolherem, saí para as suas praças e dizei: 11"Até o pó da vossa cidade, que se apegou aos nossos pés, sacudimos para vós. Sabei, no entanto: o reino de Deus está próximo". 12Digo-vos que, naquele dia, haverá mais tolerância para Sodoma do que para essa cidade».


Imprecações contra as cidades incrédulas (Mt 11,20-24) – 13«Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e Sídon se tivessem realizado as ações poderosas[4] que entre vós se realizaram, há muito se teriam convertido, cobrindo-se de pano rude[5] e sentando-se na cinza. 14Aliás, haverá mais tolerância para Tiro e Sídon no juízo do que para vós. 15E tu, Cafarnaum, serás elevada até ao céu? Até ao inferno[6] descerás. 16Quem vos ouve a mim ouve, e quem vos rejeita a mim rejeita; mas quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou».


Regresso dos discípulos – 17Os setenta e dois voltaram com alegria, dizendo: «Senhor, até os demónios se submetem a nós em teu nome». 18Mas Ele disse-lhes: «Via Satanás como um relâmpago a cair do céu. 19Eis que vos dei a autoridade para pisar serpentes e escorpiões, e sobre todo o poder do inimigo; e ninguém jamais vos causará dano. 20Contudo, não vos alegreis porque os espíritos se submetem a vós; alegrai-vos antes porque os vossos nomes estão inscritos nos céus».


Revelação aos humildes (Mt 11,25-27) – 21Naquela mesma hora exultou de alegria no Espírito Santo e disse: «Louvo-te, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 22Tudo me foi entregue por meu Pai; ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, e quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho quiser revelar».

23E, voltando-se para os discípulos, disse-lhes a sós: «Felizes os olhos que veem o que vós vedes. 24Pois digo-vos que muitos profetas e reis quiseram ver o que vós vedes e não viram, e ouvir o que ouvis e não ouviram».


Parábola do bom samaritano (Mt 22,35-40; Mc 12,28-31) – 25Eis então que um entendido na Lei se levantou para o pôr à prova, dizendo: «Mestre, que hei de fazer para herdar a vida eterna?». 26Ele disse-lhe: «Na Lei, que está escrito? Como lês?». 27Ele, respondendo, disse: «Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua força, e com todo o teu entendimento, e o teu próximo como a ti mesmo». 28Disse-lhe Ele: «Respondeste bem. Faz isso e viverás»[7].

29Mas ele, querendo justificar-se, disse a Jesus: «E quem é o meu próximo?». 30Retorquindo, Jesus disse: «Um homem descia de Jerusalém para Jericó[8] e caiu nas mãos de salteadores que, depois de o despirem e lhe baterem, se foram embora, deixando-o meio morto. 31Por acaso, um sacerdote descia por aquele caminho; ao vê-lo, passou ao largo. 32De igual modo, também um levita que passava por aquele lugar, ao vê-lo, passou ao largo. 33Mas um samaritano[9], que seguia no caminho, passou junto dele e, ao vê-lo, ficou profundamente compadecido. 34E, indo ter com ele, ligou-lhe as feridas, derramando azeite e vinho; depois de o colocar sobre a sua montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. 35No dia seguinte, ao sair, deu dois denários ao estalajadeiro e disse: "Cuida dele e o que gastares a mais eu to restituirei quando voltar".

36Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?». 37Ele disse: «O que usou de misericórdia para com ele». 37Disse-lhe Jesus: «Vai e faz tu o mesmo»[10].


Marta e Maria – 38Enquanto eles prosseguiam, Ele entrou numa certa povoação. Recebeu-o uma mulher, de nome Marta. 39Esta tinha uma irmã chamada Maria[11] que, sentada aos pés do Senhor, escutava a sua palavra. 40Marta, porém, andava de um lado para o outro com muito serviço. Então, parando, disse: «Senhor, não te importa que a minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me». 41Respondendo, disse-lhe o Senhor: «Marta, Marta, estás preocupada e alvoroçada com muitas coisas, 42mas uma só é necessária. Maria escolheu a parte boa, que não lhe será tirada».



  1. Em alguns mss. lê-se setenta (o mesmo acontece no v. 17). Em ambos os casos, Lc pretende indicar o número das nações pagãs, segundo Gn 10 (70, na versão hebraica; 72, na versão grega). Lc segue a versão grega e encontra neste envio uma antecipação da missão aos pagãos, que só começou depois da Páscoa e do Pentecostes (Lc 24,47; At 1,8). O episódio é exclusivo de Lc.
  2. O grego therismós diz respeito ao ato de colher no tempo próprio e, por extensão de sentido, à própria seara. A imagem da ceifa/colheita é usada pelos Profetas para designar o julgamento de Deus (Is 41,15.16; Jl 4,13). Também para João Batista é obra de Deus (3,17).
  3. Lit.: filho da paz, um semitismo para designar aquele que acolhe de Deus o dom da paz.
  4. Lit.: poderes (dynámeis); habitualmente este termo é traduzido por milagre, mas a etimologia remete para aquele que realiza tais ações e não tanto para quem as vê.
  5. Revestir-se de saco (veste grosseira e, por isso, incómoda e nada confortável) e cobrir-se de cinza eram sinais exteriores do arrependimento e da conversão (Jn 3,7-10).
  6. Lit.: Hades, o inferno na mitologia grega.
  7. A questão do doutor da lei é respondida por ele próprio, com recurso ao AT (Dt 6,4-9; Lv 19,18).
  8. C. 25 quilómetros separam Jerusalém de Jericó. A estrada que liga as duas cidades atravessa o deserto da Judeia. Os assaltos eram frequentes.
  9. As parábolas de Lc obedecem ao esquema de três personagens (cf. 14,18-20; 19,6-24; 20,10-12). Sobre os samaritanos, cf. 9,52-53 nota.
  10. A parábola aparece encaixada entre duas ordens em que impera o verbo fazer (vv. 25.28). A tónica não é colocada no saber e no dizer, mas no fazer.
  11. Marta e Maria são seguramente as duas irmãs de que fala também Jo 11,1-40; 12,1-3.



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