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From Biblia: Os Quatro Evangelhos e os Salmos
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6''' Súplica de um justo em aflição'''
  
  
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<span style="color:red"><sup>1</sup></span>&nbsp;''Ao diretor, para instrumentos de oito cordas. Salmo de David''.
  
  
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<span style="color:red"><sup>2</sup></span>&nbsp;Senhor, não me repreendas na tua ira<ref name="ftn26">Este salmo associa o tema da súplica individual com os conteúdos e o espírito de um salmo penitencial. A razão desta dupla vertente é exprimir a consciência das suas próprias culpas e a lamentação pelas ameaças que tantos inimigos lhe provocam. A exclamação final de libertação e de alívio exprime a superação dos dois tipos de contrariedades, as culpas próprias e os inimigos. Este é o primeiro da série de salmos penitenciais: 32; 38; 51; 102; 130; 143.</ref>,
  
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:nem me castigues na tua indignação.
  
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<span style="color:red"><sup>4</sup></span>&nbsp;A minha alma<ref name="ftn27">A alma, em hebraico ''néfech'', tem a ver com a respiração que suporta a vida. É conotada principalmente com as narinas por onde se inspira o ar (Gn 2,7) e também com a garganta onde se percebe o ar a circular. A sua importância leva a que a alma seja considerada um equivalente do ser humano enquanto vivo, podendo ser traduzida por qualquer pronome ou substantivo como ''eu'' ou ''a minha vida'' (Sl 7,3). Até os animais podem ser designados como alma viva. Porém, em textos como os salmos faz sentido manter, em certos contextos, a tradução de ''alma'', porque sublinha um reduto íntimo da pessoa e da experiência humana, onde o homem se coloca face a face com a sua própria consciência, como quem se confronta com outra pessoa. É uma espécie de heterónimo de si mesmo, que permite ao homem manter consigo mesmo um diálogo interior e uma especial cumplicidade. Estes sentidos expressivos do conceito de alma (''psykhê'') mantiveram-se vivos na linguagem do NT.</ref> está muito conturbada.
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:E Tu, Senhor, até quando?
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<span style="color:red"><sup>6</sup></span>&nbsp;Pois na morte não há memória de ti<ref name="ftn28">O mundo dos mortos, em hebraico ''Cheol'', é concebido como um mundo subterrâneo em continuidade com a sepultura, onde os humanos sobreviviam em condições muito limitadas (Nm 16,33ss). A possibilidade de se lembrar de Deus e de se dirigir a Ele bem como o entusiasmo de ir ao seu templo eram algumas das alegrias que mais lamentam, ao imaginar-se naquele estado. Cf. ainda Sl 30,10; 88,6.11-13; 115,17; Is 38,18.</ref>.
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:No mundo dos mortos, quem te renderá louvor?
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:envelheceram diante de tantos inimigos.
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<span style="color:red"><sup>10</sup></span>&nbsp;O Senhor escutou a minha súplica<ref name="ftn29">Esta declaração de que o Senhor escutou a sua oração é uma maneira confiante de dar resposta aos seus inimigos.</ref><nowiki>;</nowiki>
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:o Senhor acolheu a minha oração.
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<span style="color:red"><sup>11</sup></span>&nbsp;Que os meus inimigos se envergonhem e encham de terror;
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:que eles retrocedam, subitamente envergonhados.
  
  

Revision as of 11:38, 16 December 2019

6 Súplica de um justo em aflição


1 Ao diretor, para instrumentos de oito cordas. Salmo de David.


2 Senhor, não me repreendas na tua ira[1],

nem me castigues na tua indignação.

3 Tem piedade de mim, Senhor, que desfaleço;

cura-me, Senhor, que os meus ossos estremecem.


4 A minha alma[2] está muito conturbada.

E Tu, Senhor, até quando?

5 Volta, Senhor, liberta a minha alma;

salva-me pela tua fidelidade.

6 Pois na morte não há memória de ti[3].

No mundo dos mortos, quem te renderá louvor?


7 Estou cansado do meu sofrimento.

Todas as noites encho de lágrimas a minha cama,
inundando o meu leito.

8 Os meus olhos consomem-se de tristeza;

envelheceram diante de tantos inimigos.


9 Afastai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade,

pois o Senhor escutou a voz do meu lamento.

10 O Senhor escutou a minha súplica[4];

o Senhor acolheu a minha oração.

11 Que os meus inimigos se envergonhem e encham de terror;

que eles retrocedam, subitamente envergonhados.



  1. Este salmo associa o tema da súplica individual com os conteúdos e o espírito de um salmo penitencial. A razão desta dupla vertente é exprimir a consciência das suas próprias culpas e a lamentação pelas ameaças que tantos inimigos lhe provocam. A exclamação final de libertação e de alívio exprime a superação dos dois tipos de contrariedades, as culpas próprias e os inimigos. Este é o primeiro da série de salmos penitenciais: 32; 38; 51; 102; 130; 143.
  2. A alma, em hebraico néfech, tem a ver com a respiração que suporta a vida. É conotada principalmente com as narinas por onde se inspira o ar (Gn 2,7) e também com a garganta onde se percebe o ar a circular. A sua importância leva a que a alma seja considerada um equivalente do ser humano enquanto vivo, podendo ser traduzida por qualquer pronome ou substantivo como eu ou a minha vida (Sl 7,3). Até os animais podem ser designados como alma viva. Porém, em textos como os salmos faz sentido manter, em certos contextos, a tradução de alma, porque sublinha um reduto íntimo da pessoa e da experiência humana, onde o homem se coloca face a face com a sua própria consciência, como quem se confronta com outra pessoa. É uma espécie de heterónimo de si mesmo, que permite ao homem manter consigo mesmo um diálogo interior e uma especial cumplicidade. Estes sentidos expressivos do conceito de alma (psykhê) mantiveram-se vivos na linguagem do NT.
  3. O mundo dos mortos, em hebraico Cheol, é concebido como um mundo subterrâneo em continuidade com a sepultura, onde os humanos sobreviviam em condições muito limitadas (Nm 16,33ss). A possibilidade de se lembrar de Deus e de se dirigir a Ele bem como o entusiasmo de ir ao seu templo eram algumas das alegrias que mais lamentam, ao imaginar-se naquele estado. Cf. ainda Sl 30,10; 88,6.11-13; 115,17; Is 38,18.
  4. Esta declaração de que o Senhor escutou a sua oração é uma maneira confiante de dar resposta aos seus inimigos.



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