Mc 10

From Biblia: Os Quatro Evangelhos e os Salmos
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Questão do divórcio (Mt 19,1-9; 5,32; Lc 16,18) – 1Levantando-se dali, foi para a região da Judeia, na outra margem do Jordão. De novo se aglomeravam multidões junto dele e de novo as ensinava, como costumava fazer.

2Aproximando-se, uns fariseus perguntaram-lhe, para o pôr à prova, se é permitido a um homem repudiar a sua mulher. 3Respondendo, Ele disse-lhes: «Que vos ordenou Moisés?». 4Eles disseram: «Moisés permitiu escrever uma declaração de repúdio e repudiar»[1]. 5Jesus, porém, disse-lhes: «Foi por causa da dureza do vosso coração que ele vos escreveu essa regra. 6Mas, desde o princípio da criação, Ele os fez macho e fêmea[2]; 7por isso, o homem deixará o seu pai e a sua mãe, unir-se-á à sua mulher 8e serão os dois uma só carne[3], de modo que já não são dois, mas uma só carne. 9Portanto, o que Deus uniu, não separe o homem».

10De novo em casa, os discípulos interrogavam-no acerca disto, 11e Ele disse-lhes: «Aquele que repudiar a sua mulher e casar com outra comete adultério contra ela; 12e se ela, repudiando o seu marido, casar com outro comete adultério»[4].


Jesus e as crianças (Mt 19,13-15; Lc 18,15-17) – 13Traziam-lhe, então, algumas[5] crianças para que lhes tocasse, mas os discípulos repreenderam-nas severamente. 14Ao ver isto, Jesus indignou-se e disse-lhes: «Deixai as crianças vir a mim; não as impeçais, pois dos que são como elas é o reino de Deus. 15Amen vos digo: aquele que não acolher o reino de Deus como uma criança, jamais nele entrará». 16E, abraçando-as, abençoava-as, impondo as mãos sobre elas.


O homem rico (Mt 19,16-22: Lc 18,18-23) – 17Quando Ele estava a sair para o caminho, veio a correr um homem que, caindo de joelhos diante dele, lhe perguntou: «Bom Mestre, que devo fazer para herdar a vida eterna?». 18Jesus disse-lhe: «Porque me chamas bom? Ninguém é bom senão um, que é Deus. 19Sabes os mandamentos: Não mates, não cometas adultério, não roubes, não levantes falso testemunho, não cometas fraudes, honra o teu pai e a tua mãe»[6]. 20Ele disse-lhe: «Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude». 21Jesus, fixando nele o olhar, amou-o e disse-lhe: «Falta-te uma coisa: vai, vende tudo o que tens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu. Então vem e segue-me». 22Ele ficou chocado com estas palavras e foi-se embora triste, pois tinha muitas posses.


Os ricos e o reino de Deus (Mt 19,23-26; Lc 18,24-27) – 23Olhando em redor, Jesus disse aos seus discípulos: «Como será difícil aos que têm riquezas entrar no reino de Deus!». 24Os discípulos ficaram extremamente perplexos com as suas palavras[7]. Mas Jesus, em resposta, disse-lhes de novo: «Filhos, como é difícil[8] entrar no reino de Deus! 25É mais fácil passar um camelo pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus». 26Eles estavam extremamente perplexos, dizendo uns aos outros: «Quem pode, então, ser salvo?». 27Fixando neles o olhar, Jesus disse: «Aos homens é impossível, mas não a Deus, pois tudo é possível a Deus».


Recompensa pelo desprendimento (Mt 19,27-30; Lc 18,28-30) – 28Pedro começou a dizer-lhe: «Eis que nós deixámos tudo e seguimos-te!». 29Afirmou Jesus: «Amen vos digo: não há ninguém que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos por causa de mim e por causa do evangelho, 30que não receba, já neste tempo, cem vezes mais casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, juntamente com perseguições e, no tempo que há de vir, a vida eterna. 31Porém, muitos primeiros serão últimos, e os últimos primeiros».


Terceiro anúncio da paixão e ressurreição (Mt 20,17-19; Lc 18,31-33) – 32Estavam no caminho, subindo para Jerusalém, e Jesus seguia à frente deles. Estavam estupefactos e os que o seguiam tinham medo. Então, tomando de novo os Doze consigo, começou a dizer-lhes o que estava prestes a acontecer-lhe: 33«Eis que subimos para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos chefes dos sacerdotes e aos doutores da lei; hão de condená-lo à morte e entregá-lo aos pagãos, 34escarnecê-lo, cuspir-lhe, chicoteá-lo e matá-lo, e, três dias depois, ressuscitará».


Pedido de Tiago e João (Mt 20,20-23) – 35Aproximaram-se dele Tiago e João, os filhos de Zebedeu, dizendo-lhe: «Mestre, queríamos que nos fizesses o que te vamos pedir»[9]. 36Ele disse-lhes: «Que quereis que Eu vos faça?». 37Eles disseram-lhe: «Concede-nos que nos sentemos um à tua direita e outro à tua esquerda na tua glória». 38Mas Jesus disse-lhes: «Não sabeis o que estais a pedir! Podeis beber o cálice que Eu bebo, ou ser batizados no batismo com que Eu sou batizado?»[10]. 39Eles disseram-lhe: «Podemos». Mas Jesus disse-lhes: «Ireis beber o cálice que Eu bebo e sereis batizados com o batismo com que Eu sou batizado,40mas sentar-se à minha direita ou à minha esquerda não me cabe a mim concedê-lo; é para aqueles para quem foi preparado»[11].


Os chefes devem servir (Mt 20,24-28; Lc 22,24-27) – 41Ao ouvir isto, os outros[12] dez começaram a indignar-se contra Tiago e João. 42Então, chamando-os a si, Jesus disse-lhes: «Sabeis que aqueles que pensam ser chefes dos pagãos têm domínio sobre eles e os seus grandes exercem sobre eles o poder. 43Mas não é assim entre vós. Pelo contrário, aquele que quiser tornar-se grande entre vós, será vosso servidor, 44e aquele que quiser entre vós ser o primeiro, será servo de todos. 45Pois o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos».


Cura do cego de Jericó (Mt 20,29-34; Lc 18,35-43) – 46E foram para Jericó. Quando Ele ia a sair de Jericó com os seus discípulos e uma considerável multidão, o filho de Timeu, Bartimeu, um cego mendigo, estava sentado junto ao caminho. 47Ao ouvir dizer que era Jesus, o Nazareno, começou a gritar e a dizer: «Filho de David, Jesus, tem misericórdia de mim!». 48Muitos repreendiam-no severamente para que se calasse, mas ele gritava ainda mais: «Filho de David, tem misericórdia de mim!». 49Parando, Jesus disse: «Chamai-o». Chamaram o cego, dizendo-lhe: «Tem coragem, levanta-te! Ele chama-te». 50Ele, atirando a sua capa, deu um salto e foi ter com Jesus. 51Em resposta[13], Jesus disse: «Que queres que te faça?». O cego disse-lhe: «Rabúni[14], que eu volte a ver!». 52Jesus disse-lhe: «Vai, a tua fé te salvou». Imediatamente voltou a ver e seguia-o no caminho.



  1. Dt 24,1-4.
  2. Gn 1,27.
  3. Gn 2,24. Alguns mss. não apresentam unir-se-á à sua mulher: pode ser acrescento do copista para melhor se conformar com o texto completo de Gn 2,24.
  4. Atualização das palavras de Jesus (Mt 5,32) para o contexto greco-romano (no mundo hebraico a mulher não podia repudiar o marido).
  5. Algumas é acrescento da tradução.
  6. Ex 20,12-16; Dt 5,16-20. Não roubes, não dês falso testemunho falta em alguns mss., assim como nos paralelos de Mt 19,18 e Lc 18,20. Cf. Sir 4,1; Dt 24,14.
  7. Para a mentalidade hebraica, as riquezas eram um sinal de bênção divina: Gn 13,2; 24,35; 26,13s; 30,43; 32,6; 33,11; Lv 26,3-10; Dt 28,3-6.11s; 1Rs 3,13; 10,14-25; Sl 112,3.
  8. Alguns mss. acrescentam aos que confiaram nas riquezas, e outros um rico.
  9. Em Mt 20,20-23 é a mãe de Tiago e João a fazer o pedido, que tem na sua base uma conceção messiânico-política.
  10. O uso do presente significa que o processo da paixão já decorre.
  11. Alguns mss. acrescentam pelo meu Pai, mas parece tratar-se de harmonização com Mt 20,23.
  12. Outros é acrescento da tradução.
  13. Lit.: Em resposta a ele.
  14. Aramaico: Meu Mestre.



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