Mt 21

From Biblia: Os Quatro Evangelhos e os Salmos
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Ministério em Jerusalém
(21,1-23,39)


Entrada messiânica em Jerusalém (Mc 11,1-10; Lc 19,28-38; Jo 12,12-19) – 1Quando se aproximaram de Jerusalém e chegaram a Betfagé[1], no Monte das Oliveiras, Jesus enviou então dois discípulos, 2dizendo-lhes: «Ide à povoação que está na vossa frente, e encontrareis imediatamente uma jumenta presa e, com ela, um jumentinho. Depois de os soltar, trazei-os a mim. 3E se alguém vos disser alguma coisa, direis: "o Senhor tem necessidade deles, mas imediatamente os enviará de volta». 4Isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito por meio do profeta que diz:

5Dizei à filha de Sião:

"Eis que o teu rei vem ao teu encontro,

manso e montado numa jumenta

e num jumentinho, filho de um animal de carga"[2].

6Os discípulos foram e fizeram como Jesus lhes ordenara. 7Trouxeram a jumenta e o jumentinho, puseram sobre eles as suas capas, e Jesus sentou-se sobre eles. 8A numerosa multidão estendia as suas próprias capas pelo caminho, e outros cortavam ramos das árvores e estendiam-nos pelo caminho. 9E tanto as multidões que iam à sua frente como as que o seguiam gritavam, dizendo: «Hossana[3] ao Filho de David! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hossana nas alturas!»[4].

10Quando Ele entrou em Jerusalém, toda a cidade se agitou, dizendo: «Quem é este?». 11As multidões diziam: «Este é o profeta Jesus, o de Nazaré da Galileia».


Expulsão dos vendedores do templo (Mc 11,15-19; Lc 19,45-48; Jo 2,13-16) – 12Jesus entrou, então, no templo e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo; derrubou as mesas dos cambistas e os assentos dos que vendiam as pombas[5]. 13E disse-lhes: «Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração, mas vós fazeis dela um antro de salteadores»[6].

14Então foram ter com Ele, no templo, cegos e coxos, e Ele curou-os. 15Os chefes dos sacerdotes e os doutores da lei, ao verem as maravilhas que Jesus fazia e as crianças que gritavam no templo, dizendo: «Hossana ao Filho de David!», indignaram-se 16e disseram-lhe: «Ouves o que eles dizem?». Jesus disse-lhes: «Sim. Nunca lestes: Da boca dos pequeninos e dos meninos de peito preparaste um louvor[7]. 17E, deixando-os, saiu[8] da cidade para Betânia[9] e aí passou a noite.


A figueira seca e o poder da oração (Mc 11,12-14.20-25) – 18De manhã cedo, ao voltar para a cidade, sentiu fome. 19Ao ver uma figueira[10] pelo caminho, foi até ela, mas nela nada encontrou senão folhas. Então, disse-lhe: «Nunca mais e para sempre nasça de ti fruto algum!». E subitamente a figueira secou. 20Ao verem isto, os discípulos admiraram-se, dizendo: «Como é que subitamente secou a figueira?». 21Respondendo, Jesus disse-lhes: «Amen vos digo: se tiverdes fé e não hesitardes, não só fareis isto à figueira, como também, se disserdes a este monte: "Levanta-te e lança-te ao mar", assim acontecerá. 22Tudo quanto pedirdes na oração, acreditando, recebereis».


Controvérsia sobre a autoridade de Jesus (Mc 11,27-33; Lc 20,1-8) – 23Tendo Ele chegado ao templo, foram ter com Ele, enquanto ensinava, os chefes dos sacerdotes e os anciãos do povo, dizendo: «Com que autoridade fazes estas coisas? E quem te deu tal autoridade?». 24Respondendo, Jesus disse-lhes: «Vou perguntar-vos também Eu uma coisa; se ma disserdes, também eu vos direi com que autoridade faço estas coisas. 25O batismo de João, de onde era? Do céu ou dos homens?». Eles, porém, discutiam entre si, dizendo: «Se dissermos "do céu", dir-nos-á: "Então, por que razão não acreditastes nele?"; 26se dissermos "dos homens", temos medo da multidão, pois todos consideram João um profeta». 27E, respondendo a Jesus, disseram: «Não sabemos». Também Ele lhes disse: «Nem eu vos digo com que autoridade faço estas coisas».


Parábola dos dois filhos – 28«Que vos parece? Um homem tinha dois filhos; indo ter com o primeiro, disse-lhe: "Filho, vai hoje trabalhar na vinha". 29Ele, em resposta, disse: "Não quero"; mas depois arrependeu-se e foi. 30Indo ter com o outro, disse o mesmo. Ele, em resposta, disse: "Eu vou, senhor"; mas não foi. 31Qual dos dois fez a vontade do pai?». Disseram: «O primeiro». Disse-lhes Jesus: «Amen vos digo: os publicanos e as prostitutas irão para o reino de Deus à vossa frente, 32pois João veio ter convosco no caminho da justiça, e não acreditastes nele; mas os publicanos e as prostitutas acreditaram nele. E vós, vendo isto, nem depois vos arrependestes de modo a nele acreditar».


Parábola dos vinhateiros homicidas (Mc 12,1-12; Lc 20,9-19) – 33«Ouvi outra parábola. Havia um homem, o senhor da casa, que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar, edificou uma torre[11], arrendou-a a uns agricultores e partiu de viagem. 34Quando se aproximou o tempo dos frutos, enviou os seus servos aos agricultores para receber os seus frutos. 35Mas os agricultores agarraram nos servos dele, espancaram um, mataram outro e apedrejaram outro. 36Enviou de novo outros servos, em maior número do que os primeiros, e fizeram-lhes o mesmo. 37Por fim, enviou-lhes o seu filho, dizendo: "Hão de respeitar o meu filho". 38Mas os agricultores, ao verem o filho, disseram entre si: "Este é o herdeiro; vamos, matemo-lo, e fiquemos com a sua herança". 39E, apoderando-se dele, lançaram-no para fora da vinha e mataram-no. 40Ora, quando vier o senhor da vinha, que fará àqueles agricultores?». 41Disseram-lhe: «Destruirá de forma terrível esses malvados[12] e arrendará a vinha a outros agricultores que lhe hão de entregar os frutos no seu tempo oportuno». 42Disse-lhes Jesus: «Nunca lestes nas Escrituras:

A pedra que rejeitaram os construtores

tornou-se pedra angular;

ela veio do Senhor

e é admirável aos nossos olhos[13]?

43Por isso vos digo: ser-vos-á tirado o reino de Deus e será dado a um povo que produza os seus frutos. 44Quem cair sobre esta pedra ficará despedaçado, e ela esmagará aquele sobre o qual cair»[14].

45Ao ouvirem as suas parábolas, os chefes dos sacerdotes e os fariseus perceberam que falava deles 46e, ao procurarem prendê-lo, tiveram medo das multidões, uma vez que o consideravam profeta[15].



  1. Betfagé (Casa dos figos), povoação situada na vertente oriental do Monte das Oliveiras, hoje Kefret-Tûr, está distante de Jerusalém um dia de sábado, i.e., c. 2000 côvados, a distância máxima permitida a um judeu percorrer num chabbāt.
  2. Is 62,11; Zc 9,9.
  3. Lit. significa salva-nos; cf. 2Rs 19,19; Sl 118,25.26. Sobre a expressão hebraica, cf. Mc 11,9 nota.
  4. Sl 118,25s.
  5. Pombas para os sacrifícios no templo.
  6. Is 56,7 e Jr 7,11.
  7. Sl 8,3.
  8. Lit.: saiu fora.
  9. Betânia (possivelmente de Bet-ananyiah, Casa de Ananias), povoação na encosta oriental do Monte das Oliveiras, no caminho de Jerusalém para Jericó (26,6), atual El-'Eizarije (cf. Mc 11,11; Lc 19,29-30). Este nome árabe liga-a a Lázaro (cf. Jo 11), pois daí era natural com as suas irmãs Marta e Maria.
  10. A figueira é figura de Israel que, tal como esta, secou às portas de sexta-feira santa.
  11. Cf. cântico da vinha de Is 5,1-7, usado aqui como parábola da história da salvação.
  12. Lit.: aos maus de forma má os destruirá.
  13. Sl 118,22, frequentemente aplicado no NT à morte e ressurreição de Jesus.
  14. Este v., ausente de vários mss., inspira-se em Dn 2,34.44b e alude possivelmente à destruição de Jerusalém em 70 d.C..
  15. A doutrinação em parábolas: a dos dois filhos (21,28-32), a dos vinhateiros (21,33-46) e a do banquete da boda (22,1-14) visam o Israel infiel do tempo de Jesus. Não admira que a reação dos responsáveis judeus fosse a favor da prisão e da morte de Jesus.



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