Mt 13

From Biblia: Os Quatro Evangelhos e os Salmos
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O discurso das parábolas do reino
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(13,1-52)


Parábola do semeador (Mc 4,1-9; Lc 8,4-8)[1] 1Naquele dia, tendo Jesus saído de casa, sentou-se junto ao mar. 2E reuniram-se junto dele tão numerosas multidões que Ele teve de entrar num barco e sentar-se. Toda a multidão estava de pé na praia. 3Falou-lhes, então, de muitas coisas em parábolas, dizendo:

«Eis que saiu o semeador a semear. 4E, ao semear, uma parte caiu junto ao caminho: vieram as aves e devoraram-na. 5Outra parte caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra, e imediatamente germinou, por não ter profundidade de terra. 6Ao despontar o sol, queimou-se e, por não ter raiz, secou. 7Outra parte caiu entre os espinhos, e os espinhos cresceram e abafaram-na. 8Outra parte, porém, caiu em terra boa e deu fruto: ora cem, ora sessenta, ora trinta. 9Quem tem ouvidos, ouça».


Porque fala Jesus em parábolas (Mc 4,10-12; Lc 8,9s; 10,23s) – 10E, aproximando-se, os discípulos disseram-lhe: «Por que razão lhes falas em parábolas?». 11Ele, respondendo, disse-lhes: «Porque a vós foi dado conhecer os mistérios do reino dos céus[2], mas a eles não foi dado. 12Pois àquele que tem, ser-lhe-á dado e acrescentado; mas àquele que não tem, até o que tem lhe será tirado. 13Por isso lhes falo em parábolas: porque vendo, não veem, e ouvindo, não ouvem nem entendem. 14Assim, neles se cumpre plenamente a profecia de Isaías, que diz:

Com o ouvido haveis de ouvir, mas nunca entendereis,

olhando, olhareis, mas nunca

vereis.

15Porque se endureceu o coração deste povo,

e com dureza os seus ouvidos ouviram

e fecharam os seus olhos.

Não aconteça que vejam com os olhos,

e com os ouvidos ouçam,

e com o coração entendam,

e voltem atrás e eu os cure[3].

16Felizes os vossos olhos porque veem, e os vossos ouvidos porque ouvem. 17Amen vos digo: muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não viram, e ouvir o que ouvis e não ouviram».


Explicação da parábola (Mc 4,13‑20; Lc 8,11-15) – 18«Vós, portanto, ouvi a parábola do semeador. 19Todo aquele que ouve a palavra do reino e não entende, vem o Maligno e apodera-se do que foi semeado no seu coração: este é aquele que foi semeado junto ao caminho. 20O que foi semeado em terreno pedregoso é o que ouve a palavra e imediatamente a recebe com alegria, 21mas, como não tem raiz em si mesmo, dura pouco[4]; ao surgir uma tribulação ou uma perseguição por causa da palavra, imediatamente cai por motivo de escândalo. 22O que foi semeado entre os espinhos, este é o que ouve a palavra, mas as preocupações do mundo e a sedução da riqueza sufocam a palavra, e não produz fruto. 23O que foi semeado em terra boa, este é o que ouve a palavra e a entende, e este dá fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta».


Parábola do trigo e do joio – 24Apresentou-lhes outra parábola, dizendo: «O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo. 25Mas, enquanto os homens dormiam, veio o seu inimigo, semeou joio no meio do trigo e foi-se embora. 26Quando a planta começou a germinar e a dar fruto, apareceu também o joio. 27Então os servos, indo ter com o senhor da casa, disseram-lhe: "Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? De onde vem então o joio?". 28Ele disse-lhes: "Foi um inimigo[5] que fez isso". Os servos disseram-lhe: "Queres que o vamos apanhar?". 29Ele, porém, disse: "Não, não aconteça que, ao apanhardes o joio, arranqueis também o trigo. 30Deixai-os crescer juntos até à ceifa, e no tempo da ceifa direi aos ceifeiros: 'apanhai primeiro o joio e atai-o em feixes para ser queimado; quanto ao trigo, recolhei-o no meu celeiro'"».


Parábola do grão de mostarda (Mc 4,30-32; Lc 13,18s) – 31Apresentou-lhes outra parábola, dizendo: «O reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. 32É a mais pequena de todas as sementes, mas quando cresce é maior que as plantas da horta, e torna-se árvore, de tal modo que as aves do céu vêm habitar nos seus ramos».


Parábola do fermento (Lc 13,20) – 33Disse-lhes outra parábola: «O reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e escondeu em três medidas[6] de farinha, até que tudo fermentasse».


A razão das parábolas (Mc 4,33) – 34Jesus disse todas estas coisas às multidões em parábolas, e sem parábolas nada lhes dizia, 35para que se cumprisse o que foi dito por meio do profeta que diz:

Abrirei em parábolas a minha boca,

proclamarei coisas escondidas desde a fundação do mundo[7].


Explicação da parábola do trigo e do joio – 36Então, despedindo as multidões, foi para casa. Os seus discípulos foram ter com Ele, dizendo: «Explica-nos a parábola do joio do campo». 37Ele, em resposta, disse: «Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem; 38o campo é o mundo; a boa semente, esses são os filhos do reino; o joio são os filhos do Maligno; 39o inimigo que o semeia é o Diabo; a ceifa é o fim dos tempos; os ceifeiros são os anjos. 40Assim como o joio é apanhado e queimado no fogo, assim será no fim dos tempos: 41o Filho do Homem enviará os seus anjos que hão de recolher do seu reino todos os que são motivo de escândalo[8] e os que praticam a iniquidade, 42e hão de lançá-los na fornalha ardente; aí haverá choro e ranger de dentes. 43Então os justos brilharão como o sol no reino do seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça»[9].


Parábola do tesouro escondido e da pérola – 44«O reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido no campo, que um homem ao encontrar escondeu, e na sua alegria vai, vende tudo quanto tem e compra aquele campo.

45O reino dos céus também é semelhante a um comerciante[10] que procura belas pérolas. 46Ao encontrar uma pérola de muito valor, foi vender tudo quanto tinha e comprou-a».


Parábola da rede lançada ao mar – 47«O reino dos céus é também semelhante a uma rede que, lançada ao mar, juntou todo o género de peixe[11]. 48Quando se encheu, puxaram-na para a praia e, sentados, recolheram o que é bom nos cestos e atiraram fora o que não prestava. 49Assim será no fim dos tempos: sairão os anjos e separarão os maus do meio dos justos, 50lançando-os na fornalha ardente; aí haverá choro e ranger de dentes».


Conclusão do discurso sobre o reino – 51«Entendestes tudo isto?». Disseram-lhe: «Sim». 52Então Ele disse-lhes: «Por isso, todo o doutor da lei que se torna discípulo do reino dos céus é semelhante a um senhor da casa, que tira do seu tesouro coisas novas e velhas».


Outros ensinamentos sobre o reino
(13,53-17,27)


Jesus desprezado em Nazaré (Mc 6,1-6a; Lc 4,16-30) – 53E aconteceu que, quando Jesus acabou de dizer estas parábolas, saiu dali[12]. 54Tendo ido para a sua terra natal, ensinava-os nas suas sinagogas, de tal modo que eles ficavam perplexos e diziam: «De onde lhe vem esta sabedoria e estes poderes? 55Não é este o filho do carpinteiro[13]? Não se chama a sua mãe Maria, e os seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? 56E as suas irmãs não estão todas entre nós? De onde lhe vem então tudo isto?». 57E escandalizavam-se com Ele. Jesus, porém, disse-lhes: «Um profeta não é desprezado senão na terra natal e na sua casa»[14]. 58E não fez ali muitas ações poderosas[15], por causa da falta de fé deles.



  1. Nesta famosa parábola do semeador, Jesus usa uma imagem do quotidiano: a da terra pedregosa da Palestina, onde é difícil encontrar terreno com terra boa, em que as raízes possam em profundidade alimentar-se e ganhar estabilidade. Assim, os leitores e os ouvintes ficam a saber que, para consolidar a relação pessoal com o Senhor Jesus, é preciso tempo, profundidade, é preciso refletir, pensar na palavra de Deus para que ela vá ganhando raízes.
  2. A expressão mistérios do reino aparece apenas aqui nos evangelhos.
  3. Is 6,9s.
  4. Lit.: é para tempo oportuno, i.e., efémero.
  5. Lit.: homem inimigo.
  6. Lit.: …três sata – plural do grego sáton, uma medida que levava c. 10 litros.
  7. Sl 78,2.
  8. Lit.: escândalos.
  9. Nos vv. 36-43, Jesus transforma a parábola em alegoria com expressões apocalípticas.
  10. Lit.: homem comerciante.
  11. Peixe é acrescento da tradução.
  12. Este v. destaca o início de um novo bloco (7,28s; 11,1; 19,1; 26,1s), que começa com as dificuldades da missão na própria terra de Jesus, Nazaré.
  13. No talmud de Jerusalém, os carpinteiros (naggārā') são elogiados pelo seu conhecimento da Torá (cf. yYebam 8,9b; yQidd 4,66b).
  14. Lc 4,16-30 coloca a rejeição de Jesus na sua terra, no início da narração da vida pública.
  15. Lit.: não fez ali muitos poderes.



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