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From Biblia: Os Quatro Evangelhos e os Salmos
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<span style="color:red">Cura do cego de nascença</span><ref name="ftn122">É a conclusão (com 10,1-21) das afirmações de Jesus durante a festa das Tendas (cf. 7,2 nota). Cf. Mt 9,27-31; 20,29-34; Mc 8,22-26; 10,46-53; Lc 18,35-43.</ref> <span style="color:red"> – <sup>1</sup></span>Ao passar, viu um homem cego de nascença. <span style="color:red"><sup>2</sup></span>E perguntaram-lhe os seus discípulos, dizendo: «Rabi, quem pecou, ele ou os seus pais, para que tivesse nascido cego?»<ref name="ftn123">Havia quem entendesse a doença como consequência do pecado. Tratando-se de um cego de nascença, essa mentalidade atribuía o pecado aos pais. Jesus recusa tal lógica retributiva.</ref>. <span style="color:red"><sup>3</sup></span>Respondeu Jesus: «Nem ele pecou, nem os seus pais; mas foi assim para que nele se manifestem as obras de Deus. <span style="color:red"><sup>4</sup></span>É necessário que nós realizemos as obras daquele que me enviou enquanto é dia. Está a chegar a noite, em que ninguém pode trabalhar<ref name="ftn124">Lit: ''que ninguém pode realizar'' (o mesmo verbo do início do v.).</ref>. <span style="color:red"><sup>5</sup></span>Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo».


<span style="color:red"><sup>6</sup></span>Tendo dito isto, cuspiu na terra, fez lama com a saliva<ref name="ftn125">Evocação da criação do homem (Gn 2,7): a saliva no pó (como o Criador com o hálito) comunica vida; o que Jesus vai realizar é equiparável ao gesto primordial de Deus. O episódio tem uma conotação batismal.</ref>, untou-lhe os olhos com a lama <span style="color:red"><sup>7</sup></span>e disse-lhe: «Vai lavar-te na piscina de Siloé» – que significa «Enviado»<ref name="ftn126">Jesus é o verdadeiro Enviado do Pai (3,17; 5,24.36-38; 8,42; 9,7; 11,42; 17,8.21-25).</ref>. Ele foi, lavou-se e regressou a ver.


<span style="color:red"><sup>8</sup></span>Então os vizinhos e os que antes o costumavam ver, porque era mendigo, diziam: «Não é este o que estava sentado a mendigar?». <span style="color:red"><sup>9</sup></span>Uns diziam: «É este»; outros diziam: «Não, mas é parecido com ele». Ele dizia: «Sou eu». <span style="color:red"><sup>10</sup></span>Diziam-lhe, então: «Como é que se te abriram os olhos?». <span style="color:red"><sup>11</sup></span>Respondeu ele: «O homem chamado Jesus fez lama, untou-me os olhos e disse-me: "Vai a Siloé e lava-te". Fui e, depois de me ter lavado, comecei a ver». <span style="color:red"><sup>12</sup></span>Disseram-lhe: «Onde está Ele?». Ele disse: «Não sei».


<span style="color:red"><sup>13</sup></span>Levaram aos fariseus o que tinha sido cego. <span style="color:red"><sup>14</sup></span>Ora, era sábado o dia em que Jesus fizera lama e lhe abrira os olhos<ref name="ftn127">Tal como em 5,1ss.</ref>. <span style="color:red"><sup>15</sup></span>De novo lhe perguntaram também os fariseus como tinha começado a ver. Ele disse-lhes: «Pôs-me lama nos olhos, lavei-me e agora vejo». <span style="color:red"><sup>16</sup></span>Diziam, então, alguns dos fariseus: «Esse homem não vem de Deus, porque não guarda o sábado». Mas outros diziam: «Como pode um homem pecador realizar tais sinais?». E havia divisão entre eles. <span style="color:red"><sup>17</sup></span>Disseram, de novo, ao cego: «Tu, que dizes acerca dele, visto que te abriu os olhos?». Ele disse: «É um profeta».


<span style="color:red"><sup>18</sup></span>Mas os judeus não acreditaram que ele tivesse sido cego e começado a ver, até que chamaram os pais do que tinha começado a ver, <span style="color:red"><sup>19</sup></span>e lhes perguntaram, dizendo: «Este é o vosso filho, que vós dizeis ter nascido cego? Então como é que agora vê?». <span style="color:red"><sup>20</sup></span>Responderam os seus pais e disseram: «Sabemos que este é o nosso filho e que nasceu cego; <span style="color:red"><sup>21</sup></span>mas como agora vê, não sabemos, nem nós sabemos quem lhe abriu os olhos. Perguntai-lhe; já tem idade, ele falará sobre si próprio». <span style="color:red"><sup>22</sup></span>Os seus pais disseram isto porque tinham medo dos judeus. De facto, os judeus já tinham combinado que, se alguém o confessasse como Cristo, fosse expulso da sinagoga. <span style="color:red"><sup>23</sup></span>Por isso os seus pais disseram: «Já tem idade; perguntai-lhe».
<span style="color:red"><sup>24</sup></span>Chamaram então, pela segunda vez, o homem que tinha sido cego e disseram-lhe: «Dá glória a Deus<ref name="ftn128">Fórmula rabínica para admoestar quem se pensa ter mentido, no sentido de: ''Honra Deus, dizendo a verdade! ''(cf. Is 7,19).</ref>! Nós sabemos que esse homem é pecador». <span style="color:red"><sup>25</sup></span>Respondeu ele: «Se é pecador, não sei. Uma coisa sei: era cego e agora vejo». <span style="color:red"><sup>26</sup></span>Disseram-lhe então: «Que te fez Ele? Como te abriu os olhos?». <span style="color:red"><sup>27</sup></span>Respondeu-lhes: «Já vos disse e não ouvistes! Por que razão quereis ouvir de novo? Será que também vós vos quereis tornar seus discípulos?». <span style="color:red"><sup>28</sup></span>Insultaram-no e disseram: «Tu é que és seu discípulo; nós somos discípulos de Moisés. <span style="color:red"><sup>29</sup></span>Nós sabemos que Deus falou a Moisés; mas esse não sabemos de onde é». <span style="color:red"><sup>30</sup></span>Respondeu o homem e disse-lhes: «Pois o que há de surpreendente nisto é que vós não sabeis de onde Ele é; no entanto, abriu-me os olhos! <span style="color:red"><sup>31</sup></span>Sabemos que Deus não ouve pecadores, mas se alguém o temer e fizer a sua vontade, a esse o ouve. <span style="color:red"><sup>32</sup></span>Nunca se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos de um cego de nascença! <span style="color:red"><sup>33</sup></span>Se Ele não viesse de Deus, nada poderia fazer». <span style="color:red"><sup>34</sup></span>Eles responderam e disseram-lhe: «Tu nasceste todo em pecados e estás a ensinar-nos?»<ref name="ftn129">Lit.: ''e tu ensinas-nos?''</ref>. E expulsaram-no.
<span style="color:red"><sup>35</sup></span>Jesus ouviu que o tinham expulsado e, quando o encontrou, disse: «Tu acreditas no Filho do Homem?». <span style="color:red"><sup>36</sup></span>Ele respondeu e disse: «E quem é, Senhor, para que acredite nele?». <span style="color:red"><sup>37</sup></span>Disse-lhe Jesus: «Já o viste: é aquele que fala contigo». <span style="color:red"><sup>38</sup></span>Ele, então, afirmou: «Acredito, Senhor!». E prostrou-se diante dele<ref name="ftn130">No sentido de ''adorou-o'', como em todas as ocorrências do verbo ''proskynéō'' em Jo (4,20.21.22.23.24; 12,20); o gesto expressa reconhecimento da divindade de Jesus.</ref>.
<span style="color:red"><sup>39</sup></span>Disse, então, Jesus: «Para um juízo<ref name="ftn131">No contexto, o grego ''kríma'' tem um sentido mais de ''discernimento'' do que ''julgamento'' (para o que se usa ''krísis''<nowiki>; cf. 5,29 nota).</nowiki></ref> vim Eu a este mundo: para que os que não veem, vejam, e os que veem, se tornem cegos». <span style="color:red"><sup>40</sup></span>Alguns dos fariseus que estavam com Ele ouviram isto e disseram-lhe: «Será que também nós somos cegos?». <span style="color:red"><sup>41</sup></span>Disse-lhes Jesus: «Se fôsseis cegos, não teríeis pecado algum; mas como agora dizeis: "Vemos", o vosso pecado permanece».





Latest revision as of 12:13, 27 December 2019

Cura do cego de nascença[1] 1Ao passar, viu um homem cego de nascença. 2E perguntaram-lhe os seus discípulos, dizendo: «Rabi, quem pecou, ele ou os seus pais, para que tivesse nascido cego?»[2]. 3Respondeu Jesus: «Nem ele pecou, nem os seus pais; mas foi assim para que nele se manifestem as obras de Deus. 4É necessário que nós realizemos as obras daquele que me enviou enquanto é dia. Está a chegar a noite, em que ninguém pode trabalhar[3]. 5Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo».

6Tendo dito isto, cuspiu na terra, fez lama com a saliva[4], untou-lhe os olhos com a lama 7e disse-lhe: «Vai lavar-te na piscina de Siloé» – que significa «Enviado»[5]. Ele foi, lavou-se e regressou a ver.

8Então os vizinhos e os que antes o costumavam ver, porque era mendigo, diziam: «Não é este o que estava sentado a mendigar?». 9Uns diziam: «É este»; outros diziam: «Não, mas é parecido com ele». Ele dizia: «Sou eu». 10Diziam-lhe, então: «Como é que se te abriram os olhos?». 11Respondeu ele: «O homem chamado Jesus fez lama, untou-me os olhos e disse-me: "Vai a Siloé e lava-te". Fui e, depois de me ter lavado, comecei a ver». 12Disseram-lhe: «Onde está Ele?». Ele disse: «Não sei».

13Levaram aos fariseus o que tinha sido cego. 14Ora, era sábado o dia em que Jesus fizera lama e lhe abrira os olhos[6]. 15De novo lhe perguntaram também os fariseus como tinha começado a ver. Ele disse-lhes: «Pôs-me lama nos olhos, lavei-me e agora vejo». 16Diziam, então, alguns dos fariseus: «Esse homem não vem de Deus, porque não guarda o sábado». Mas outros diziam: «Como pode um homem pecador realizar tais sinais?». E havia divisão entre eles. 17Disseram, de novo, ao cego: «Tu, que dizes acerca dele, visto que te abriu os olhos?». Ele disse: «É um profeta».

18Mas os judeus não acreditaram que ele tivesse sido cego e começado a ver, até que chamaram os pais do que tinha começado a ver, 19e lhes perguntaram, dizendo: «Este é o vosso filho, que vós dizeis ter nascido cego? Então como é que agora vê?». 20Responderam os seus pais e disseram: «Sabemos que este é o nosso filho e que nasceu cego; 21mas como agora vê, não sabemos, nem nós sabemos quem lhe abriu os olhos. Perguntai-lhe; já tem idade, ele falará sobre si próprio». 22Os seus pais disseram isto porque tinham medo dos judeus. De facto, os judeus já tinham combinado que, se alguém o confessasse como Cristo, fosse expulso da sinagoga. 23Por isso os seus pais disseram: «Já tem idade; perguntai-lhe».

24Chamaram então, pela segunda vez, o homem que tinha sido cego e disseram-lhe: «Dá glória a Deus[7]! Nós sabemos que esse homem é pecador». 25Respondeu ele: «Se é pecador, não sei. Uma coisa sei: era cego e agora vejo». 26Disseram-lhe então: «Que te fez Ele? Como te abriu os olhos?». 27Respondeu-lhes: «Já vos disse e não ouvistes! Por que razão quereis ouvir de novo? Será que também vós vos quereis tornar seus discípulos?». 28Insultaram-no e disseram: «Tu é que és seu discípulo; nós somos discípulos de Moisés. 29Nós sabemos que Deus falou a Moisés; mas esse não sabemos de onde é». 30Respondeu o homem e disse-lhes: «Pois o que há de surpreendente nisto é que vós não sabeis de onde Ele é; no entanto, abriu-me os olhos! 31Sabemos que Deus não ouve pecadores, mas se alguém o temer e fizer a sua vontade, a esse o ouve. 32Nunca se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos de um cego de nascença! 33Se Ele não viesse de Deus, nada poderia fazer». 34Eles responderam e disseram-lhe: «Tu nasceste todo em pecados e estás a ensinar-nos?»[8]. E expulsaram-no.

35Jesus ouviu que o tinham expulsado e, quando o encontrou, disse: «Tu acreditas no Filho do Homem?». 36Ele respondeu e disse: «E quem é, Senhor, para que acredite nele?». 37Disse-lhe Jesus: «Já o viste: é aquele que fala contigo». 38Ele, então, afirmou: «Acredito, Senhor!». E prostrou-se diante dele[9].

39Disse, então, Jesus: «Para um juízo[10] vim Eu a este mundo: para que os que não veem, vejam, e os que veem, se tornem cegos». 40Alguns dos fariseus que estavam com Ele ouviram isto e disseram-lhe: «Será que também nós somos cegos?». 41Disse-lhes Jesus: «Se fôsseis cegos, não teríeis pecado algum; mas como agora dizeis: "Vemos", o vosso pecado permanece».



  1. É a conclusão (com 10,1-21) das afirmações de Jesus durante a festa das Tendas (cf. 7,2 nota). Cf. Mt 9,27-31; 20,29-34; Mc 8,22-26; 10,46-53; Lc 18,35-43.
  2. Havia quem entendesse a doença como consequência do pecado. Tratando-se de um cego de nascença, essa mentalidade atribuía o pecado aos pais. Jesus recusa tal lógica retributiva.
  3. Lit: que ninguém pode realizar (o mesmo verbo do início do v.).
  4. Evocação da criação do homem (Gn 2,7): a saliva no pó (como o Criador com o hálito) comunica vida; o que Jesus vai realizar é equiparável ao gesto primordial de Deus. O episódio tem uma conotação batismal.
  5. Jesus é o verdadeiro Enviado do Pai (3,17; 5,24.36-38; 8,42; 9,7; 11,42; 17,8.21-25).
  6. Tal como em 5,1ss.
  7. Fórmula rabínica para admoestar quem se pensa ter mentido, no sentido de: Honra Deus, dizendo a verdade! (cf. Is 7,19).
  8. Lit.: e tu ensinas-nos?
  9. No sentido de adorou-o, como em todas as ocorrências do verbo proskynéō em Jo (4,20.21.22.23.24; 12,20); o gesto expressa reconhecimento da divindade de Jesus.
  10. No contexto, o grego kríma tem um sentido mais de discernimento do que julgamento (para o que se usa krísis; cf. 5,29 nota).




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