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From Biblia: Os Quatro Evangelhos e os Salmos
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<span style="color:red">Bodas de Caná. Princípio dos sinais – </span><span style="color:red"><sup>1</sup></span>Ao terceiro dia houve uma boda em Caná da Galileia e a Mãe de Jesus estava lá<ref name="ftn34">O episódio tem carácter programático e abre a secção que vai até 4,46-54. Está cheio de evocações messiânicas: bodas, banquete, vinho abundante e de qualidade única. A Mãe de Jesus surge também com um papel simbólico: representa o Israel fiel, que espera e acolhe o messias. Por isso é apresentada em primeiro lugar e Jesus trata-a por ''Mulher'' (como em 19,26). Do lado oposto, estão os chefes religiosos, representados pelo chefe de mesa que devia ter preparado tudo e é o único a não se aperceber ''de onde'' vem o vinho.</ref>. <span style="color:red"><sup>2</sup></span>Também Jesus e os seus discípulos foram chamados para a boda. <span style="color:red"><sup>3</sup></span>Tendo faltado vinho, a Mãe de Jesus disse-lhe: «Não têm vinho». <span style="color:red"><sup>4</sup></span>Disse-lhe Jesus: «Que há entre mim e ti, mulher<ref name="ftn35">Pergunta retórica. É que, de facto, há algo entre os dois, como se vê logo a seguir na atitude de ambos: a Mãe orienta os servos com as mesmas palavras com que o povo de Israel sela a aliança do Sinai (Ex 24,3.7), e Jesus antecipa a manifestação da sua glória, que acontecerá na ''hora'' (a da morte e ressurreição), na qual se selará a nova aliança. Os encontros de Jesus, até 4,54, explicitam os destinatários desta aliança: judeus ortodoxos (3,1-21), samaritanos (4,1-42) e pagãos (4,46-54), o que possivelmente reflete a composição da comunidade na qual este evangelho tem a sua origem e à qual se destina.</ref>? Ainda não chegou a minha hora!»<ref name="ftn36">Esta ''hora'' é anunciada, na primeira parte, como ''ainda não chegada'' e, na segunda, como ''chegada'' (7,30; 8,20; 12,23.27; 13,1; 17,1).</ref>. <span style="color:red"><sup>5</sup></span>A sua Mãe disse aos serventes: «O que Ele vos disser, fazei-o».


<span style="color:red"><sup>6</sup></span>Ora, estavam ali colocadas seis talhas de pedra para a purificação dos judeus, cada uma com capacidade para duas ou três medidas<ref name="ftn37">Como cada medida levava aproximadamente 40 litros, no total eram c. 600. No pensamento bíblico, o número seis é imperfeito (por contraposição ao sete, que significa plenitude); trata-se do dom da Lei (significada nas talhas e na água para os rituais de purificação) que espera um dom superior e pleno: Jesus. Entre a água (Lei) e o vinho da nova aliança (Messias) há continuidade, mas também descontinuidade: o dom dado em Jesus é imensamente maior do que o oferecido através da Lei de Moisés (cf. 1,17; 3,14s; 6,58).</ref>. <span style="color:red"><sup>7</sup></span>Disse-lhes Jesus: «Enchei as talhas de água». E encheram-nas até cima. <span style="color:red"><sup>8</sup></span>E disse-lhes: «Tirai agora e levai ao chefe de mesa». E eles levaram. <span style="color:red"><sup>9</sup></span>Quando o chefe de mesa provou a água tornada vinho – ele não sabia de onde era, mas sabiam os serventes, que tinham tirado a água –, o chefe de mesa chamou o noivo <span style="color:red"><sup>10</sup></span>e disse-lhe: «Todos<ref name="ftn38">Lit.: ''Todo o homem''.</ref> põem primeiro o vinho bom e, quando estão embriagados, o inferior. Tu guardaste o vinho bom até agora!».


<span style="color:red"><sup>11</sup></span>Foi este o princípio dos sinais<ref name="ftn39">''Sinal'' é o termo usado por Jo para referir o que nos Sinópticos se chama ''ação poderosa'' (''dýnamis'') e, correntemente, ''milagre''. O termo ''sinal'' aponta para outra realidade só acessível pela fé.</ref> que Jesus realizou em Caná da Galileia; manifestou a sua glória e os seus discípulos acreditaram nele.


<span style="color:red"><sup>12</sup></span>Depois disto desceu para Cafarnaum, Ele, a sua Mãe, os seus irmãos e os seus discípulos, mas não permaneceram ali muitos dias.


<center><span style="color:red">II</span></center>
<center><span style="color:red">Peregrinação para a primeira Páscoa</span> </center>
<center><span style="color:red">(2,13-4,54)</span></center>
<span style="color:red">Expulsão dos vendedores e dos animais do templo (Mt 21,12s; Mc 11,15-17; Lc 19,45s) – </span><span style="color:red"><sup>13</sup></span>Estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém.
<span style="color:red"><sup>14</sup></span>Encontrou no templo os vendedores de bois, ovelhas e pombas e os cambistas sentados. <span style="color:red"><sup>15</sup></span>Então, depois de fazer um chicote de cordas, expulsou todos do templo, e também as ovelhas e os bois; deitou por terra o dinheiro dos cambistas e derrubou-lhes as mesas; <span style="color:red"><sup>16</sup></span>e disse aos vendedores das pombas: «Tirai isto daqui! Não façais da casa do meu Pai casa de comércio!»<ref name="ftn40">Sem animais já não pode haver culto. O culto antigo cessou; no templo apenas fica o Cordeiro de Deus (1,25.36). Além disso, Jesus revela-se ainda como o verdadeiro templo da presença do Pai (2,19-22; 1,14), de onde brota a água escatológica (7,37-39; 19,34): nele e por Ele se dará o culto ''em espírito e verdade'' (4,21s; cf. 9,38).</ref>. <span style="color:red"><sup>17</sup></span>Recordaram-se os seus discípulos do que está escrito: ''O zelo pela tua casa devorar-me-á''<ref name="ftn41">Sl 69,10.</ref>.
<span style="color:red">Primeiro anúncio da morte e ressurreição de Jesus – </span><span style="color:red"><sup>18</sup></span>Responderam-lhe, então, os judeus e disseram-lhe: «Que sinal nos mostras para fazeres estas coisas?». <span style="color:red"><sup>19</sup></span>Respondeu Jesus e disse-lhes: «Destruí este templo, e em três dias o levantarei». <span style="color:red"><sup>20</sup></span>Disseram-lhe, então, os judeus: «Este templo foi edificado em quarenta e seis anos, e Tu em três dias o levantarás?». <span style="color:red"><sup>21</sup></span>Ele, porém, falava acerca do templo do seu corpo. <span style="color:red"><sup>22</sup></span>Por isso, quando ressuscitou dos mortos<ref name="ftn42">Lit. ''foi levantado dos mortos'': o mesmo verbo usado nos vv. 19s, mas aqui no passivo teológico.</ref>, os seus discípulos recordaram-se de que tinha dito isto e acreditaram na Escritura e na palavra que Jesus dissera.
<span style="color:red"><sup>23</sup></span>Enquanto Ele estava em Jerusalém, durante a festa da Páscoa, muitos acreditaram no seu nome<ref name="ftn43">Sobre ''acreditar no nome'', cf. 1,12 nota.</ref>, ao verem os sinais que Ele realizava. <span style="color:red"><sup>24</sup></span>Porém, o próprio Jesus não acreditava neles, por os conhecer a todos <span style="color:red"><sup>25</sup></span>e porque não tinha necessidade de que alguém lhe desse testemunho acerca do homem, pois Ele conhecia o que havia no homem.





Latest revision as of 11:17, 27 December 2019

Bodas de Caná. Princípio dos sinais – 1Ao terceiro dia houve uma boda em Caná da Galileia e a Mãe de Jesus estava lá[1]. 2Também Jesus e os seus discípulos foram chamados para a boda. 3Tendo faltado vinho, a Mãe de Jesus disse-lhe: «Não têm vinho». 4Disse-lhe Jesus: «Que há entre mim e ti, mulher[2]? Ainda não chegou a minha hora!»[3]. 5A sua Mãe disse aos serventes: «O que Ele vos disser, fazei-o».

6Ora, estavam ali colocadas seis talhas de pedra para a purificação dos judeus, cada uma com capacidade para duas ou três medidas[4]. 7Disse-lhes Jesus: «Enchei as talhas de água». E encheram-nas até cima. 8E disse-lhes: «Tirai agora e levai ao chefe de mesa». E eles levaram. 9Quando o chefe de mesa provou a água tornada vinho – ele não sabia de onde era, mas sabiam os serventes, que tinham tirado a água –, o chefe de mesa chamou o noivo 10e disse-lhe: «Todos[5] põem primeiro o vinho bom e, quando estão embriagados, o inferior. Tu guardaste o vinho bom até agora!».

11Foi este o princípio dos sinais[6] que Jesus realizou em Caná da Galileia; manifestou a sua glória e os seus discípulos acreditaram nele.

12Depois disto desceu para Cafarnaum, Ele, a sua Mãe, os seus irmãos e os seus discípulos, mas não permaneceram ali muitos dias.


II
Peregrinação para a primeira Páscoa
(2,13-4,54)


Expulsão dos vendedores e dos animais do templo (Mt 21,12s; Mc 11,15-17; Lc 19,45s) – 13Estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém.

14Encontrou no templo os vendedores de bois, ovelhas e pombas e os cambistas sentados. 15Então, depois de fazer um chicote de cordas, expulsou todos do templo, e também as ovelhas e os bois; deitou por terra o dinheiro dos cambistas e derrubou-lhes as mesas; 16e disse aos vendedores das pombas: «Tirai isto daqui! Não façais da casa do meu Pai casa de comércio!»[7]. 17Recordaram-se os seus discípulos do que está escrito: O zelo pela tua casa devorar-me-á[8].


Primeiro anúncio da morte e ressurreição de Jesus – 18Responderam-lhe, então, os judeus e disseram-lhe: «Que sinal nos mostras para fazeres estas coisas?». 19Respondeu Jesus e disse-lhes: «Destruí este templo, e em três dias o levantarei». 20Disseram-lhe, então, os judeus: «Este templo foi edificado em quarenta e seis anos, e Tu em três dias o levantarás?». 21Ele, porém, falava acerca do templo do seu corpo. 22Por isso, quando ressuscitou dos mortos[9], os seus discípulos recordaram-se de que tinha dito isto e acreditaram na Escritura e na palavra que Jesus dissera.

23Enquanto Ele estava em Jerusalém, durante a festa da Páscoa, muitos acreditaram no seu nome[10], ao verem os sinais que Ele realizava. 24Porém, o próprio Jesus não acreditava neles, por os conhecer a todos 25e porque não tinha necessidade de que alguém lhe desse testemunho acerca do homem, pois Ele conhecia o que havia no homem.



  1. O episódio tem carácter programático e abre a secção que vai até 4,46-54. Está cheio de evocações messiânicas: bodas, banquete, vinho abundante e de qualidade única. A Mãe de Jesus surge também com um papel simbólico: representa o Israel fiel, que espera e acolhe o messias. Por isso é apresentada em primeiro lugar e Jesus trata-a por Mulher (como em 19,26). Do lado oposto, estão os chefes religiosos, representados pelo chefe de mesa que devia ter preparado tudo e é o único a não se aperceber de onde vem o vinho.
  2. Pergunta retórica. É que, de facto, há algo entre os dois, como se vê logo a seguir na atitude de ambos: a Mãe orienta os servos com as mesmas palavras com que o povo de Israel sela a aliança do Sinai (Ex 24,3.7), e Jesus antecipa a manifestação da sua glória, que acontecerá na hora (a da morte e ressurreição), na qual se selará a nova aliança. Os encontros de Jesus, até 4,54, explicitam os destinatários desta aliança: judeus ortodoxos (3,1-21), samaritanos (4,1-42) e pagãos (4,46-54), o que possivelmente reflete a composição da comunidade na qual este evangelho tem a sua origem e à qual se destina.
  3. Esta hora é anunciada, na primeira parte, como ainda não chegada e, na segunda, como chegada (7,30; 8,20; 12,23.27; 13,1; 17,1).
  4. Como cada medida levava aproximadamente 40 litros, no total eram c. 600. No pensamento bíblico, o número seis é imperfeito (por contraposição ao sete, que significa plenitude); trata-se do dom da Lei (significada nas talhas e na água para os rituais de purificação) que espera um dom superior e pleno: Jesus. Entre a água (Lei) e o vinho da nova aliança (Messias) há continuidade, mas também descontinuidade: o dom dado em Jesus é imensamente maior do que o oferecido através da Lei de Moisés (cf. 1,17; 3,14s; 6,58).
  5. Lit.: Todo o homem.
  6. Sinal é o termo usado por Jo para referir o que nos Sinópticos se chama ação poderosa (dýnamis) e, correntemente, milagre. O termo sinal aponta para outra realidade só acessível pela fé.
  7. Sem animais já não pode haver culto. O culto antigo cessou; no templo apenas fica o Cordeiro de Deus (1,25.36). Além disso, Jesus revela-se ainda como o verdadeiro templo da presença do Pai (2,19-22; 1,14), de onde brota a água escatológica (7,37-39; 19,34): nele e por Ele se dará o culto em espírito e verdade (4,21s; cf. 9,38).
  8. Sl 69,10.
  9. Lit. foi levantado dos mortos: o mesmo verbo usado nos vv. 19s, mas aqui no passivo teológico.
  10. Sobre acreditar no nome, cf. 1,12 nota.




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