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	<title>Evangelho Evangelhos: - Revision history</title>
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		<updated>2019-12-10T14:17:45Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Created page with &amp;quot;== I. Evangelho e evangelhos == === 1.	Jesus e a comunidade pré-pascal ===  Os quatro livros a que chamamos evangelho resultam de um longo processo de formação que tem a su...&amp;quot;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;New page&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div&gt;== I. Evangelho e evangelhos ==&lt;br /&gt;
=== 1.	Jesus e a comunidade pré-pascal ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os quatro livros a que chamamos evangelho resultam de um longo processo de formação que tem a sua origem na vida, morte e ressurreição de Jesus. Ao contrário do que era habitual no judaísmo, é Jesus quem escolhe os discípulos que, vivendo permanentemente com Ele, escutam a sua palavra e são testemunhas dos seus gestos. Ainda em vida, envia-os a pregar (Mc 6,7-13; Mt 10,5-15; Lc 9,1-6; 10,1-12), o que implica a constituição de uma tradição sobre as palavras do Mestre.&lt;br /&gt;
A fidelidade a esta mensagem estava garantida pela memorização, característica essencial do sistema educativo judaico, ao ponto de S. Jerónimo se admirar com a capacidade dos judeus de reproduzir de memória não só as listas de nomes do livro das Crónicas, como a Torá e os Profetas. Para isso empregavam várias técnicas, que Jesus, tal como os mestres do seu tempo, conhecia e utilizava: não faz definições teológicas diretas, mas usa as metáforas, os paralelismos sinonímicos e antitéticos, conta histórias – parábolas – que partem da experiência quotidiana ou conhecida pelos interlocutores, pelas quais os faz chegar a conclusões e realidades que desconhecem, usa imagens fortes, que fazem gravar a mensagem na memória de quem escuta, assim como assonâncias, aliterações, ritmos e rimas, etc.. &lt;br /&gt;
Por outro lado, as palavras de Jesus estavam intimamente ligadas à sua vida e às suas ações, pelo que era impossível anunciar aquelas sem se referir estas. E se, para os judeus, a Torá constituía o alicerce da construção da vida e do quotidiano, para os discípulos de Jesus a vida edifica-se tendo como fundação a palavra do Mestre (Mt 7,24-27; Lc 6,47-49), de tal forma que, se para os judeus era possível ter mais do que um mestre, aos discípulos é exigido não só que tenham em Jesus o Mestre exclusivo, como eles próprios jamais o pretendam ser (Mt 23,8).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2.	A Páscoa redimensiona as palavras e as ações de Jesus ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois da ressurreição, os discípulos têm não só razões acrescidas para conservar com fidelidade as palavras e as ações de Jesus, como uma nova perspetiva para as entender e interpretar: Por isso, quando ressuscitou dos mortos, os seus discípulos recordaram-se de que dissera isto e acreditaram na Escritura e na palavra dita por Jesus (Jo 2,22). À luz da Páscoa, a comunidade primitiva relê a vida de Jesus, de modo particular a sua morte e ressurreição, descobrindo na Escritura – pela exegese deráchica – que já tudo tinha sido anunciado na Lei e nos Profetas (Lc 24,25-27). &lt;br /&gt;
A experiência da ressurreição, com a alegria que dela brota, deu origem ao anúncio do evangelho – do grego eu- (bem) e angéllō (anunciar). E a boa notícia é que, em Jesus, Deus visitou a humanidade para a resgatar do poder das trevas e da morte e fazê-la participante da sua própria vida, a eternidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 3.	O hoje do evangelho ===&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
Diversos fatores sócio-religiosos que revestiam e enquadravam o anúncio desta boa notícia exigiam a adaptação e atualização da tradição recebida de Jesus: a tradução do aramaico, língua falada por Jesus e pelos discípulos, para o grego, língua franca do Mediterrâneo; a inculturação, no ambiente das grandes cidades do império, de uma mensagem surgida na ruralidade da Palestina; a vida das próprias comunidades cristãs, que releem a palavra de Jesus, atualizando-a de forma a iluminar as situações vividas quer a nível interno (catequese, culto, estruturação da comunidade, relações entre os seus membros, etc.), quer externo (pregação missionária, controvérsias com o ambiente judaico e pagão, etc.). Tudo isto leva a reler a tradição recebida para poder enquadrar a situação presente. Assim, por exemplo, a parábola da ovelha perdida que, segundo Lc 15,4-7, é dirigida por Jesus aos doutores da lei e fariseus, que murmuram por Ele comer com publicanos e pecadores, em Mt 18,12s é dirigida aos discípulos (cf. 18,1) como releitura atualizante da palavra de Jesus, que ilumina o comportamento que devem ter para com os membros mais frágeis da comunidade (cf. 18,6.10.14).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 4.	Do evangelho proclamado ao escrito ===&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
Estas diferentes necessidades deram origem ao aparecimento de correspondentes perícopes isoladas – ainda percetíveis nos textos evangélicos que temos, precisamente pela ligação vaga e sem nexo entre algumas delas – que, embora transmitidas oralmente numa primeira fase, começaram a circular por escrito, tendo algumas dado origem a pequenos blocos literários unitários, que passaram posteriormente como tal para o texto evangélico: controvérsias (Mc 2,1-3,6 par.), parábolas (Mc 4,1-34 par.), milagres (Mc 4,35-5,43 par.).&lt;br /&gt;
O desaparecimento progressivo das testemunhas oculares que acompanharam Jesus desde o batismo de João até ao dia em que foi arrebatado para o Alto (At 1,22), e que conservavam a fidelidade à verdade da vida e mensagem de Jesus, faz com que surja a necessidade de escrever o que antes era proclamação apenas oral – e mantendo o seu estilo –, como forma de garantir a não adulteração do testemunho recebido de quem viu e testemunhou (Jo 19,35). Para além desta finalidade, a redação dos evangelhos teve também como objetivo fortalecer e melhor fundamentar a fé das comunidades cristãs, apresentar a vida de Jesus como o paradigma para entender a sua mensagem – não se trata da adesão a uma doutrina, mas a uma pessoa, Jesus – e oferecer uma visão holística do mistério de Cristo, pois as perícopes isoladas ou em bloco apenas sublinhavam um aspeto, o que podia deturpar a verdade cristológica: a narrativa isolada dos milagres sublinhava apenas o seu poder, a coleção de ditos apresentava-o apenas como Mestre, etc..&lt;br /&gt;
Assim, como afirma o Concílio Vaticano II, os evangelistas recolhem, organizam e transmitem esta tradição evangélica, mas fazem-no como verdadeiros autores: selecionam os dados da tradição oral e escrita (cf. Lc 1,1-4; Jo 20,30s; 21,25), sintetizam-nos, releem a tradição à luz da situação vital da comunidade a quem destinam o seu escrito. Conservam, porém, o carácter de pregação, visto que a sua preocupação não é satisfazer curiosidades históricas, mas oferecer à comunidade os fundamentos da sua fé e vida cristã.&lt;br /&gt;
Neste sentido, os evangelhos são narrações teológicas. Como narrativa, introduzem os ditos de Jesus no contexto da sua vida, o que significa que apenas uma leitura contínua, que identifique as características e elementos da trama do relato, garante fidelidade à verdade da obra. Mas, ao mesmo tempo, na continuidade da tradição historiográfica judaica que descobre a ação de Deus na história e a lê à luz da Aliança, os evangelhos olham para a história de Jesus, descobrindo nela a intervenção salvífica de Deus e o cumprimento do AT. Ou seja, os evangelhos narram a vida de Jesus com uma trama que desemboca na cruz, mas são concomitantemente uma confissão de fé sobre a presença atual do Senhor que ressuscitou e que, presente na sua comunidade, continua a dirigir-lhe a sua palavra, como é bem sublinhado nos relatos das aparições pascais. Desta forma, as narrativas evangélicas têm três preocupações simultâneas: a fidelidade às palavras e feitos de Jesus; a sua atualização de forma a iluminar a vida das comunidades; a apresentação de Jesus como o cumprimento do AT, da história da salvação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
=== 5.	Um único evangelho em quatro formas diferentes ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O evangelho é único: a boa nova de Jesus Cristo (Mc 1,1). Ele é não só o anunciador, como o conteúdo da boa notícia. Por isso, primordialmente, evangelho era o conteúdo da pregação oral das testemunhas da morte e ressurreição do Senhor e, consequentemente, da comunidade primitiva – um querigma, anúncio). Pelas razões indicadas, este anúncio ganha forma literária em quatro livros canónicos, que expressam, cada um de acordo com as necessidades das comunidades a que se destinam e a perspetiva própria de quem o redigiu, a única boa notícia de Jesus. &lt;br /&gt;
Mateus, Marcos e Lucas têm grandes semelhanças entre si, o que levou os estudiosos a chamarem-lhe sinópticos – de synoráō, olhar conjuntamente, ver de forma conjunta. De facto, os seus textos são de tal natureza que é possível colocá-los em colunas paralelas e perceber com rapidez as suas semelhanças e diferenças. Houve, logo nos inícios, quem se perguntasse sobre a necessidade de haver quatro versões diferentes do mesmo evangelho de Jesus, surgindo muito cedo a tentação de elaborar uma síntese de todos. A Igreja, porém, nunca aceitou perder a riqueza que quatro perspetivas diferentes sobre a mesma realidade permitem. Por isso as manteve, inclusivamente na liturgia, entendendo que nenhuma perspetiva esgota o mistério de Jesus. &lt;br /&gt;
Mas como se explica esta relação de estrutura e conteúdos – e também as diferenças – entre estes três evangelhos? S. Agostinho aceitou a ordem canónica e considerou Mt o mais antigo dos três; Mc seria um resumo de Mt, e Lc uma síntese de ambos. Esta ideia subsistiu até ao séc. XIX, o que fez com que Mc fosse pouco considerado e estivesse mesmo quase ausente da liturgia. No séc. XX, porém, foi ganhando consistência a tese de que Mc é a obra mais antiga, caracterizada por uma reflexão cristológica ainda incipiente e usada de forma independente por Mt e Lc, quer no que respeita ao conteúdo quer à estrutura. Ainda segundo esta teoria, que se mantém – embora com variantes – nos dias de hoje, o material discursivo comum a Mt e Lc e que não se encontra em Mc, teria a sua origem num hipotético documento Q – inicial do alemão Quelle, que significa fonte. O material restante que não corresponde nem a Mc nem ao documento Q é exclusivo, recebido por Mt e Lc de fontes próprias.&lt;br /&gt;
O evangelho segundo S. João revela uma cristologia mais elaborada – e, portanto, mais tardia –, fruto de uma tradição possivelmente independente dos sinópticos, embora muitos defendam que Jo conhece os três primeiros evangelhos.&lt;br /&gt;
Nenhum destes textos revela o nome do autor; apenas o quarto evangelho apresenta o Discípulo Amado – expressão que muitos pensam referir-se a João, irmão de Tiago e filho de Zebedeu – como aquele que o escreveu ou fez escrever (cf. Jo 21,20.24). Os títulos pelos quais distinguimos cada evangelho parecem ter sido acrescentados, de acordo com a tradição oral, por ocasião da elaboração e reunião dos quatro livros numa única coleção, nos inícios do séc. II, como forma de os distinguir.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Bibliacep</name></author>
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