Sl 36

From Biblia: Os Quatro Evangelhos e os Salmos
Jump to: navigation, search

36(35) Malícia humana e bondade divina

 

1 Ao diretor. Do servo do Senhor. De David.


2 O malfeitor tem um oráculo de pecado dentro do seu coração[1];

diante dos seus olhos, não existe temor de Deus.

3 Porém, o seu Deus destrói-o com o seu olhar,

descobrindo a sua abominável iniquidade[2].

4 As palavras da sua boca são de maldade e traição;

renunciou a ser sensato e a fazer o bem.

5 Maldade é o que ele planeia, deitado no seu leito.

Obstinado em seguir o seu mau caminho,
nem pensa em renunciar ao mal.


6 Ó Senhor, a tua misericórdia vai até aos céus,

e a tua fidelidade chega até às nuvens.

7 A tua justiça é como as altas montanhas[3],

e os teus juízos são um abismo profundo[4]:
ó Senhor, Tu salvas homens e animais.

8 Que maravilhosa é a tua misericórdia, ó Deus!

Os humanos refugiam-se à sombra das tuas asas.

9 Ficam saciados com a abundância da tua casa[5];

Tu lhes dás a beber dos teus rios de delícias[6].

10 Pois em ti se encontra a fonte da vida,

e é na tua luz que vemos a luz[7].

11 Prolonga a tua misericórdia para os que te conhecem

e a tua justiça para os retos de coração.

12 Que os pés do orgulhoso não venham sobre mim,

e que a mão dos malfeitores me não expulse.


13 Eis como[8] caíram por terra os que praticam a iniquidade;

foram abatidos e não mais se conseguem levantar.



  1. Como é habitual num salmo individual de súplica, a reflexão sobre a experiência humana é a oportunidade para tecer considerações de modelo sapiencial sobre a maneira como a prática do mal se instala e domina os comportamentos humanos. A fé em Deus é o caminho pelo qual se abre a possibilidade de ultrapassar esse círculo vicioso. O salmo põe em contraste a corrupção de um coração sem temor de Deus (vv. 2-5) e a imensa bondade com que Deus concede os seus benefícios aos seus fiéis (vv. 6-12).
  2. Ou: Ele ilude-se a si próprio, não vendo a sua culpa para a rejeitar.
  3. Lit.: as montanhas de Deus. Trata-se de uma expressão idiomática hebraica para significar o superlativo (cf. Sl 68,16; 80,11).
  4. O cimo das montanhas e as profundezas do abismo representam os pontos extremos do espaço terrestre e do mundo, que funcionam aqui como medida da grandeza de Deus. O abismo profundo é o tehom, o abismo oceânico que é referido em Gn 1,2.
  5. A casa de Deus é aqui a amplidão total do universo, onde todos os seres coabitam com Ele e podem beneficiar dos dons que Deus a todos concede.
  6. O termo hebraico aqui utilizado tem assonâncias com o paraíso do Éden, cujo significado sugere a ideia de delícias (Gn 2,8).
  7. A fonte e a luz são duas importantes metáforas da vida. A fonte de água viva (Jr 2,13; 17,13) jorrará de Jerusalém e do templo dando vida a toda a terra (Jl 4,18; Ez 47; Zc 14,8). A luz que vem de Deus é igualmente uma fonte de vida (Sl 4,7; 27,1; 43,3; 44,4; 80,4.8.20). Ambos os temas se encontram abundantemente referidos no NT (cf. Jo 4,14; 8,12; 9,5; 12,46; 1Jo 1,5; Ap 22,1).
  8. O advérbio cham, normalmente traduzido por ali, parece ser, neste caso, uma expressão equivalente a eis aí como. A referência mais definida a um lugar não parece pertinente no contexto concreto deste salmo.



Salmos

1   2   3   4   5   6   7   8   9   10   11   12   13   14   15   16   17   18   19   20   21   22   23   24   25   26   27   28   29   30   31   32   33   34   35   36   37   38   39   40   41   42   43   44   45   46   47   48   49   50   51   52   53   54   55   56   57   58   59   60   61   62   63   64   65   66   67   68   69   70   71   72   73   74   75   76   77   78   79   80   81   82   83   84   85   86   87   88   89   90   91   92   93   94   95   96   97   98   99   100   101   102   103   104   105   106   107   108   109   110   111   112   113   114   115   116   117   118   119   120   121   122   123   124   125   126   127   128   129   130   131   132   133   134   135   136   137   138   139   140   141   142   143   144   145   146   147   148   149   150